Terça-feira, 14 de Janeiro de 2014
ESCOLARIDADE OBRIGATÓRIA

A direita no seu melhor

“O prolongamento do ensino obrigatório até ao 12º ano é um erro. As pessoas devem ter a liberdade de aprender, é um direito fundamental de cada pessoa”

Miguel Pires da Silva (dirigente da Juventude Popular)

 

Estas e outas posições defendidas no último congresso do CDS-PP revelam bem qual a missão da direita. Vou-me debruçar, apenas, sobre a hedionda enormidade que representa esta declaração.

Para além de empobrecer as pessoas à força, querem torná-las ignorantes e iletradas, em suma, amorfas e domesticadas. Juntam, assim, novo argumento ao embuste da frase “há professores a mais em Portugal”.

Pouco falta para começarem a difundir ideias do género "Ensinai aos vossos filhos o trabalho, ensinai às vossas filhas a modéstia, …", cujo autor me dispenso de mencionar.

O que a direita portuguesa quer é uma ditadura – único regime em que é capaz de governar – onde nada se discute e tudo são certezas. Não se discutem as ordens da “troika”. Não se discute a natureza da dívida. Não se discute a austeridade. Destroem-se postos de trabalho, mas continua-se a panaceia demagógica à volta da necessidade de trabalhar.

Ideias e “princípios indiscutíveis” como estes estiveram na base da fundação do Estado Novo. O apelo de Passos Coelho à união nacional é bem ilustrativo das verdadeiras intenções da direita portuguesa, empobrecer as pessoas como se isso fosse uma virtude – “Devo à providência a graça de ser pobre” –e retirar-lhes a capacidade de decisão.

A escolaridade e a instrução não são uma escolha, mas sim um pilar da sociedade. É a instrução que nos torna cidadãos esclarecidos, com capacidade de decidir em plena consciência. Quanto menos instruídas são as pessoas, menor é a sua capacidade de não se deixarem manipular. O que a direita pretende com este retrocesso é impingir a ignorância à força para poder manipular e controlar as pessoas a seu belo prazer – “O povo quer-se dócil, modesto e paciente”.

Fecharam escolas, meteram os alunos em salas superlotadas em mega agrupamentos, à semelhança de aviários, enquanto injetavam milhões em escolas privadas e, agora, querem retroceder ao 9º ano de escolaridade.

Porque não ao 6º? Assim haveria maior excedente de professores, os jovens, ainda em idade domesticável, possuidores de larga ignorância e baixa escolaridade, poderiam engrossar o exército de desempregados – futura mão-de-obra escrava – e tudo estaria facilitado para a exploração desenfreada das pessoas.

São estes os “meninos” que apregoam a preocupação com a qualidade do ensino. Tanta hipocrisia!

 

Publicado no jornal INCENTIVO



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Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2013
PLANO E ORÇAMENTO PARA 2014 – MAIS DO MESMO

Sob o título de “Austeridade Fofinha” demonstrei a minha desilusão por, infelizmente, ter sido “sol de pouca dura” o discurso de tomada de posse que não passou de promessa de boas intenções, como de “boas intenções” também não passou o rol enunciado ao longo das 203 páginas do Programa de Governo que culminou na “austeridade fofinha” proposta e estranhamente, ou não, viabilizada com a abstenção violenta do PSD, e, ainda, por ter formulado desejos e acalentado “… esperança de que algo iria mudar para melhor”.

Aprovado o Plano e o Orçamento para 2014, permito-me repetir: “Este Governo Regional não está a trilhar um bom caminho porque critica violentamente a política económica e financeira da República mas, na prática, aplica-a com palavras fofinhas nos Açores”.

Padecendo de narcisismo doentio o Governo Regional fez aprovar a maioria das suas propostas, orgulhosamente só, do alto da sua maioria parlamentar cada vez mais castrada na capacidade de pensamento crítico, limitada pela razão da força em detrimento de qualquer força de razão.

O Governo Regional do Açores, alicerçado na sua maioria parlamentar domesticada, obediente e progressivamente despojada de raciocínio político-ideológico, cedeu à falácia do inevitável, ou, então, embarcou na onda do bom aluno quando se congratula com as declarações vindas de responsáveis da União Europeia que aprovam as suas políticas e dizem que os Açores estão no bom caminho.

A estratégia daquela entidade não diverge nos Açores, aplica-se a todo o País e tem os mesmos objetivos, objetivos que o PS diz contrariar mas que, na prática, implementa de forma mais ou menos subtil.

O desemprego aumenta assustadoramente e de forma descontrolada, ultrapassando a média nacional. Ao invés de políticas económicas eficazes e duradoras que promovam empregabilidade, o governo recusa-se a renegociar as parcerias público-privadas e orçamenta chorudos milhões para enterrar nestes buracos. Em que diverge esta política dos desígnios do Governo da República?

Afirmaram que as alterações à Lei das Finanças Regionais apenas contemplavam aspetos normativos. Afinal não era assim, envolvia consequências bem mais graves que levaram os próprios deputados do PSD pelos Açores na Assembleia da República a votar contra, mas o PS-Açores, deixou o seu Governo assinar o malfadado acordo com o Governo da República que nos obriga a rastejar. Em que diverge esta política da submissão degradante do Governo da República aos seus protetores?

As derrapagens em obras públicas, os negócios ASTA, a incineração à força, entre outras, são terreno propício à transferência de recursos para os bolsos de alguns privados, em detrimento de políticas sociais de reposição de rendimento, de combate ao desemprego, à pobreza e à exclusão social. Esta opção política, aliada ao desinvestimento na escola pública em favor de negócios privados e o investimento geograficamente desproporcionado que aprofunda o desenvolvimento desigual resume este Plano, este Orçamento e o Governo que o idealizou a mais do mesmo e à consequente evolução na continuidade que pouco ou nada o distingue do Governo da República PSD/CDS. 

 

Publicado no jornal INCENTIVO



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Segunda-feira, 18 de Novembro de 2013
O FAIAL E OS TRANSPORTES MARÍTIMOS

Se os céus do Açores são as nossas autoestradas, o mar que nos rodeia deverá exercer a mesma função que, num território continental, têm as ferrovias.

A nossa realidade arquipelágica deve ser encarada em duas principais vertentes, as dificuldades inerentes, que têm de ser aceites como tal, e as oportunidades que emergem em resultado das formas que encontramos para tornear essas mesmas dificuldades.

A descontinuidade geográfica, o desequilíbrio no desenvolvimento económico de cada ilha e a concentração localizada de poderes constituem sérios entraves a uma solução de transportes integrada que satisfaça as necessidades básicas de quem vive nos Açores, principalmente em ilhas geograficamente mais isoladas ou economicamente preteridas.

O combate a estas assimetrias pode e deve constituir, para além duma solução para os transportes, um despertar para o desenvolvimento harmónico da Região, potenciando as particularidades de cada ilha, sejam elas de ordem económica, geográfica ou outra, juntando, assim, as sinergias que formam a riqueza da nossa diversidade.

 

A transcrição com que inicio esta minha reflexão é parte integrante dum texto da minha autoria que, há mais dum ano, já foi publicado nesta coluna. É um assunto recorrente de que reivindico a regular insistência junto das autoridades competentes.

Insisti enquanto cidadão, em vários artigos, nas páginas deste jornal. Fui incómodo junto do poder nos períodos em que exerci funções de deputado na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. Mas, por escrito, só obtive uma resposta concreta, datada de 3 de Junho de 2011: “O Governo dos Açores tem o compromisso público de apresentar, durante o corrente ano, o Plano Integrado de Transportes Aéreos e Marítimos da Região Autónoma dos Açores que incidirá, nomeadamente, sobre aspectos como frequências, horários e rotas”.

 Sublinho 2011. Deve-se este destaque ao facto de, em 2013, o Governo Regional dizer que, agora sim, vai haver o tal Plano Integrado de Transportes, prometido desde 2008, comprometido em 2011 e reafirmado em 2012.

Não é inocente este protelar do assunto, porque prende-se com decisões que irão mexer com interesses instalados, principalmente no que concerne ao futuro duma entidade, a ATLANTICOLINE, que, para gerir contratos sazonais com navios que operam na época de verão, necessita de 3 administradores, 2 a tempo inteiro e 1 a tempo parcial, cuja remuneração custou ao erário público 110.465€ no ano de 2012; 1 diretor de operações; 1 diretora financeira; 1 diretora comercial; 1 engenheiro naval; 1 comissária de 1ª; 2 assistentes comerciais; 1 técnica superior; 1 assistente administrativa; 2 técnicos de informática; 1 empregado de armazém, para além de Mestres, Maquinistas, Assistentes de Bordo e outros, num total que ultrapassa 50 elementos.

Tudo isto para movimentar 117.846 passageiros, em que alguns contam várias vezes consoante a quantidade de portos por onde passam. Não admira, por isso, que a receita dos bilhetes não cubra, sequer, o custo dos combustíveis.

A contrastar, temos a TRANSMAÇOR que no ano de 2012 movimentou 385.444 passageiros, dos quais 342.196 entre a Horta e a Madalena, mas tem um quadro de pessoal inferior a 50 elementos, em que a sua maioria é operacional de bordo e de assistência a passageiros, contando apenas com um administrador a tempo parcial, cuja remuneração é de 6.000€ por ano.

Prepara-se o Governo - e é já do domínio público - para fundir estas duas empresas de que detém a maioria do capital. Sem grandes análises, o mais comum cidadão entenderá que a zona onde existe maior tráfego de passageiros, durante todo o ano, e do qual não pode prescindir, são as rotas das Ilhas do Triângulo, cujo principal vértice é o Porto da Horta.

Logicamente se espera que, por decisão do Governo Regional dos Açores, a sede da empresa de transportes resultante da previsível fusão seja no Faial, como também toda a logística operacional e administração estejam sedeadas nesta mesma Ilha. Espero que não impere a mesma lógica de interesses obscuros que presidiu à deslocalização da Rádio Naval da Horta para São Miguel. Espero, também, que as forças vivas desta Ilha façam, atempadamente, ouvir a sua voz, antes que seja demasiado tarde.

 

Publicado no jornal Incentivo (2013/11/18)



publicado por livrecomoovento às 19:44
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Terça-feira, 5 de Novembro de 2013
O Milagre Económico

Ou de como se aldrabam as pessoas

A nossa Ilha do Faial era conhecida pela “Terra da Coisa Rara”, onde até o Gato era vendilhão de peixe. O País tinha indícios de nos seguir o exemplo, por piores motivos, uma vez que o Presidente da ditadura fascista, carinhosamente apelidado de “Cabeça de Abóbora”, era alvo da chacota nacional e internacional pelas suas constantes gafes no desempenho da única missão em que era autorizado por Salazar, o corte de fitas.

Temos um Presidente da República que diz não ser político embora seja o titular de cargos públicos com mais tempo de atividade política. Temos um Primeiro-Ministro que tinha tudo bem estudado antes de ser empossado, mas, no dia seguinte já tinha descoberto que era tudo mentira e que a política tinha de ser outra. Temos um elenco governativo que, sempre que se abre uma gaveta, se descobrem ligações ao grupo PBN ou a negócios de submarinos.

No país onde os mistérios divinos eram escrupulosamente escrutinados pelos donos da grei, o milagre, nesta sacrossanta vigência - um Presidente, um Governo, uma maioria - passou a ser uma banalidade.

Milagrosamente, não só aumentaram as exportações como também diminuíram as importações, mas ninguém se preocupou em explicar o motivo dessa diminuição. Terá sido pela expansão do nosso tecido empresarial, pelo aumento da nossa indústria que passou a ter à disposição dos portugueses os bens que importavam, ou a razão deve-se à falta de capacidade financeira das pessoas para adquirir esses mesmos bens? Ou o milagre aconteceu?

Mercê dum novo “milagre de Fátima” a troika deu parecer favorável a um buraco orçamental comparável à Fossa das Marianas. Como é que agiotas tão exigentes deram luz verde a estes resultados financeiros desastrosos a par duma política económica recessiva e lesiva do trabalho e dignidade das pessoas? Ou o milagre aconteceu?

Graças a uma divindade, ainda desconhecida, Portugal vai cumprir os limites do défice, acabar com os cortes, diminuir a carga fiscal e tornar a economia florescente. Alguém acredita nesta patranha? Ou o milagre vai acontecer?

Num país onde as vacas riem quando chove, o que faz aumentar a sua produção de leite, e as Ilhas Selvagens são o maior centro de nidificação de cagarros do Atlântico Norte, o que fez com que Espanha queira reivindicar a sua soberania, a economia dá sinais de força quando as pessoas ficam mais pobres e a banca privada tem lucros à custa do erário público.

Neste país da coisa rara, tornou-se comum privatizar a saúde pública, a educação, a energia, enfim, tudo o que possa constituir um bem público a defender, passando a ser dívida pública os buracos financeiros criados pelos administradores incompetentes, a agiotagem das parcerias ruinosas e as dívidas da banca privada aos mercados financeiros.

Por este andar, em breve, passaremos a ser conhecidos pelo país dos milagres, ou, então, de vendedores da “banha da cobra”.



publicado por livrecomoovento às 02:39
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Segunda-feira, 21 de Outubro de 2013
Os pontos nos iis

 

O alvoroço gerado à volta da qualidade da água que abastece parte da nossa cidade traz consigo a desconfiança nos responsáveis que, eleitos por nós, deliberadamente nos omitiram a verdade ou não exerceram as funções de fiscalização que juraram cumprir.

Soubemos, por declarações públicas, que este problema se arrasta há pelo menos dez anos. Dez anos?! Durante todo este tempo consumimos, com toda a confiança que nos transmitiram os responsáveis, o precioso líquido - considerado fonte da vida - justificando as diarreias, as gastroenterites e outras, com “andaços”, salmonelas ou temperos exagerados.

Foi necessário o impedimento do que seria uma simples visita a um reservatório de água para que toda esta polémica estalasse, e passasse a ser do conhecimento público a falta de responsabilidade e a ignomínia dos executivos camarários e deputados municipais do concelho da Horta durante todo estes anos.

Não há justificação plausível, quer para os executivos – independentemente de serem maioritários ou não – individual ou coletivamente, quer para os membros do órgão fiscalizador, que se demitiram, omitiram ou foram cúmplices nesta situação, lastimável e fortemente condenável. Também não é politicamente sério alguém cavalgar uma situação para a qual contribuiu ou da qual, por cumplicidade ou outros motivos, se demitiu.

A pergunta mais comum do mais comum munícipe será: “Que andaram a fazer aqueles que eu elegi, dando a confiança do meu voto, se nem sequer se preocupam com a minha saúde e qualidade de vida?”. Há várias respostas evidentes, desde a cobardia política que coloca interesses particulares à frente do bem comum, até à “carneirada” partidária que transfere para as prioridades da edilidade ou do debate municipal as agendas partidárias em vez da resolução dos problemas do município.

A inversão de valores reinante na nossa sociedade perverte de forma cada vez mais acentuada o genuíno funcionamento da democracia. Da mesma maneira que a economia passou a estar ao serviço do sistema financeiro, e não ao contrário como seria de supor, há peões, em representação de forças partidárias, que passaram a ser a tropa de choque dos interesses especulativos e da corrupção política instalada, em vez de serem o porta-voz exigente das ansiedades das pessoas às suas cúpulas.

Não se entende, nem se pode aceitar que, quer maioria, quer oposição, na Assembleia Municipal, se distraia em discursos estéreis, em mútuas acusações, “malhando em ferro frio”, enquanto periga a saúde pública do município.

Perante a gravidade da situação surpreendeu-me o discurso de tomada de posse do novo Presidente da Câmara que, tendo estado envolvido nesta polémica e tendo proferido afirmações públicas que, ou fugiram à questão, ou omitiram a verdade, não tenha tido uma palavra que pudesse inspirar um mínimo de confiança e alguma esperança no seu empenho em resolução deste grave problema.

A memória coletiva poderá ser curta, mas nem tanto.



publicado por livrecomoovento às 16:46
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Quinta-feira, 26 de Setembro de 2013
NÃO DEIXES QUE DECIDAM POR TI

 

Nestes momentos, apelar à participação dos cidadãos pode parecer um lugar-comum, mais um a dizer o mesmo. Pois seja, mas não deixarei de insistir na importância de votar, a arma mais eficaz num regime democrático. Não sendo uma obrigatoriedade, mas sim um direito, reveste-se dum profundo dever porque deixa nas nossas mãos o destino das nossas vidas.

Não deveria ser necessário o apelo à participação dos cidadãos em qualquer eleição, mas antes uma natural vontade de cada um de nós em contribuir para o bem comum, escolhendo quem nos represente da melhor forma, renovando a legitimidade democrática de quem nos tenha governado bem, ou, se o entendermos, dar essa possibilidade a outro projeto político.

Não podemos é deixar nas mãos duns poucos o destino de muitos. Não votar, é passar um cheque em branco para que sejamos governados sem escrutínio. É dar aval à corrupção e ao compadrio.

Seria fácil tecer alguns comentários acutilantes a quem não vota, ou, simplesmente vota em branco. Não o farei, não por ser politicamente incorreto, mas porque sei que esta atitude das pessoas tem sido motivada por campanhas marginais como a forma delas demonstrarem a sua indignação pela falta de consideração por quem tem expressado a sua vontade, votando.

Garanto-vos que esta atitude não tem qualquer resultado prático, a não ser o prolongar da situação. Retira legitimidade democrática a quem se indigna por ter sido enganado e legitima as práticas anti democráticas de quem não gosta de se submeter ao escrutínio da cidadania. Em último caso, conduz a ditaduras que tanto sangue já derramou por todo o mundo e em Portugal.



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Sexta-feira, 13 de Setembro de 2013
O MEDO E A CACICAGEM

 

“Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível.”

Albert Einstein

 

O medo manifesta-se de várias formas e tem origens diversas. Tudo o que eu possa dissertar sobre este assunto não passará de meras conjeturas quando relacionadas com o que dizem grandes pensadores e, principalmente, aqueles que viveram situações reais:

 

“À medida que nos libertamos do nosso próprio medo a nossa presença liberta automaticamente os outros.”

“Eu aprendi que a coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas aquele que conquista por cima do medo.”

Nelson Mandela

 

“No outro lado de cada medo está a liberdade”.

Marilyn Ferguson

 

“Não aprendeu a lição da vida quem não domina o medo de cada dia”.

Ralph Emerson

 

“O meu maior medo foi sempre o de ter medo – física, mental ou moralmente – e deixar-me influenciar por ele e não por sinceras convicções”.

Eleanor Roosevelt

 

“De todas as paixões, o medo é aquela que mais debilita o bom senso”.

Jean Retz

 

“Um dos defeitos do medo é perturbar os sentidos e fazer que as coisas não pareçam o que são”.

Miguel Cervantes

 

O medo manieta as pessoas, impede-as de pensar livremente e abre caminho fértil para a cacicagem. A cacicagem política consiste em urdir uma rede de influências, cujos tentáculos se estendem e envolvem interesses pessoais e familiares. A conjuntura económica e social em que vivemos promove facilmente estas teias levando a que, por interpostas pessoas, o cacique mantenha a sua influência, arrebanhando e comprometendo o máximo de pessoas possível.

Definição de cacique:

“Indivíduo que tem influência política em determinada região e que, na ocasião de eleições arranja eleitores a favor de certo candidato”. (Dicionário Informal)

Prisioneiras do medo e dos compromissos as pessoas sucumbem às ameaças mais ou menos veladas, implícitas ou dissimuladas de quem lhes dá emprego ou o poderá facilitar a algum familiar ou amigo.

“A honra que recebemos daqueles a quem tememos em nada nos honra”.

Michel de Montaigne

Assim se mina e desvirtua a democracia, se amarfanha a intelectualidade, a capacidade de pensamento e livre expressão. Entretanto, aumenta a raiva surda mas contida a muito custo, o desalento, a sensação de impotência perante a situação.

O passo seguinte, reza a história, será o de eliminar quem se oponha, antes que as pessoas se revoltem.



publicado por livrecomoovento às 01:08
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Quinta-feira, 15 de Agosto de 2013
Um político que de irrevogável só mesmo a contradição

Na semana em que o líder centrista se estreia a presidir ao Conselho de Ministros, revisite o percurso de quem jurava aos 30 nunca fazer política e aos 50 chega a vice-primeiro-ministro.

(Artigo de F.Câncio) - Diário de Notícias


Não foi na semana passada (Passos veio de Manta Rota estragar a estreia) mas será nesta: Paulo Sacadura Cabral Portas não chega ao fim do seu meio século de vida (faz 51 em setembro) sem concretizar um sonho nada secreto: ser número um do Governo. Não é (ainda?) no organograma oficial, mas se há quem o garanta já, atendendo às pastas que agora acumula, primeiro-ministro de facto, inaugurar-se-á quinta-feira na direção do Conselho de Ministros.

"Graças a Deus", dirá talvez, como tanto gosta de repetir. E graça tem certamente: é olhar o seu percurso. "Geneticamente anti-poder" aos 30, sem "nenhumas ambições políticas" aos 28, candidato a deputado aos 32. Amigo, criador e seguidor de Manuel Monteiro aos 31, derrotando-o (e desfazendo-o) na liderança do partido aos 33, em 1998. Inimigo ajuramentado de Cavaco e dos seus governos durante todo o tempo de O Independente, perguntando, em 1995, que raio iria este fazer para Belém, garante agora que o apoiou sempre nas candidaturas a PR. Antieuropeísta e antieuro nos anos 90, alertando para o perigo da Alemanha unificada, é em 2013 vice-PM de um governo que segue à risca a cartilha Merkel. Vigoroso denunciante do "bloco central dos interesses", das "negociatas do poder" e do escândalo BPN, cede o MNE a Rui Machete, ex-presidente do conselho consultivo da SLN. Candidato à Câmara de Lisboa em 2001, garantia nos cartazes "eu fico" (como vereador), para não ficar. Antiausteridade até às eleições de 2011 (em entrevista ao DN, em 2009, defendia baixar impostos - "o défice é importante, mas a economia ainda é mais" - e em 2010 garantia "saber onde cortava" para poupar o Estado social), autor, em 2012, de uma carta aos militantes do CDS em que certificava não admitir outro agravamento fiscal, assinou o orçamento que em 2013 bateu o recorde da subida de impostos na democracia portuguesa; defensor irredutível dos pensionistas em setembro de 2012, dez meses depois anuncia o corte de 10% nas pensões da CGA. Liberal irreverente, individualista e antipartidos aos 29, logra ser quem há mais tempo (13 anos) dirige um, professando, no debate do Estado da Nação que se segue à revogada demissão irrevogável: "Em caso de opção entre a razão pessoal e a de partido, deve prevalecer a de partido."

Primórdios. Mas, se perguntarmos se ele avisou, avisou. "Os políticos têm um código hipócrita, é preciso descodificar o que dizem", garantia aos 29 anos o filho da economista (de direita?) Helena Sacadura Cabral e do arquiteto (próximo do PS) Nuno Portas (cujas pisadas profissionais teria querido seguir, não fosse o mal que se dava com a matemática). Dirigia então O Independente e fazia do semanário fundado em 1988 com Esteves Cardoso e o mais tarde correligionário no PP Nobre Guedes (amigo íntimo cuja demissão da vice-presidência do partido manterá em segredo quase um ano, atestando da dificuldade nessa rutura pessoal e política) o púlpito de onde esportulava a sua visão do que devia - e sobretudo do que não devia - ser a direita portuguesa. Tinha começado cedo, de resto, essa missão paralela à do irmão Miguel, militante do PCP e depois fundador do BE cuja morte, em 2012, uniu no palco do Teatro São Luís, numa longa cerimónia transmitida em direto, a nomenclatura do partido mais à esquerda no espectro parlamentar e o chefe do mais à direita, num inusitado misto de liturgia da dor e propaganda política.

Aos 13, ainda aluno do colégio São João de Brito, inscrevia-se, por via da admiração até hoje proclamada ao presidente-fundador Sá Carneiro, no PPD/PSD, cujo órgão oficial, Pelo Socialismo (!), chegou a dirigir; aos 15 ia a tribunal por ter acusado Eanes, Soares e Freitas de trair a pátria (em As três traições, publicado em 1978 no Jornal Novo); aos 19, dois anos após a morte do fundador, saía do partido para, afirmaria categoricamente durante 13 anos, nunca mais voltar à política - partidária, bem entendido. "Se há uma coisa definitiva na minha vida e na minha cabeça, uma delas é essa: gosto imenso de política mas nunca farei política", certificava em 1991 numa entrevista na RTP2. "Os partidos são uma maçada, e ser militante é uma maçada. Os quadros dos partidos são muito medíocres e acham que aquela é a forma mais fácil de subir na vida. Os partidos dispensam o mérito." Na mesma entrevista, esguio e jovem, tão jovem e descontraído na camisa clara, gestos rápidos como o olhar e o verbo, os tiques teatrais que hoje lhe conhecemos - a pose esforçada de estadista, a virilidade imposta na voz, a rima nas frases ritmadas - tão longe ainda, arrumava o CDS com desprezo: "Qualquer dia ninguém vai para lá." E definia-se, no tom de enfant terrible bem nascido em que fazia questão (contra "a democracia dos ignaros" que invetivava na sua coluna, "os homens sem história", "bando posidónio" do cavaquismo, que viam "na política uma espécie de promoção social" e consideravam "bem ter nascido mal"), como "uma pessoa de direita meio liberal meio conservador" elogiando em Salazar (no contraste com Cavaco, "um homem ordinário" com quem a comparação, a seu ver, era injusta para o ditador) a inteligência, a escrita e o "raffinement do cinismo". Dois anos depois, no programa Raios e Coriscos, de Herman José, reiterava o nojo aos políticos: "O poder é a pior coisa... Sou geneticamente contra o poder, seja de quem for. No dia em que um amigo meu lá chegar, passo-me para a oposição ou deixo de ser amigo dele."

Quase. No mesmo programa, Zita Seabra, acabada de chegar ao PSD vinda do PCP, apontava o bluff: "Quem é que tem mais poder, o Paulo como diretor do Independente ou o ministro do Mar ou de outra coisa qualquer?" A resposta é um chuto para canto. Afinal, faltam dois anos para que abandone o jornalismo (voltará a ser comentador político, mas só na TV, de cada vez que "sai" da política ativa, em 1997 e entre 2005 e 2007) pela tal maçadora, medíocre, oportunista e salobra "vida de partido", e por uma imparável - irrevogável? - caminhada poder político acima. Aquela que o traz aqui, à semana de agosto de 2013 em que, pela terceira vez membro de um Governo de coligação PSD/CDS, tem pela primeira a sigla "PM" na descrição do cargo. Vistas daqui, as palavras do jornalista, recentemente objeto de resenha no Expresso, são uma espécie de outra vida - de tal modo que no registo parlamentar, em "ocupação principal", apôs "jurista", categoria para a qual o curso de Direito o habilita mas que nunca exerceu. Será mesmo dos únicos, senão o único, ex-colunista notável que nunca deu ao prelo os seus escritos em livro. Percebe-se: lê-lo e à sua acerada, quase sempre brutal, pluma não é só um exercício de contemplação da ironia e de revisitação nostálgica (ah, o quanto a vida nos muda). É sobretudo perguntarmo-nos o que não diria Portas colunista do Portas político, que adjetivos ofertaria a sua brilhante crueldade para tanta pirueta, cambalhota, dito por não dito, não dito por dito. E se, como jurava há 20 anos que faria, cortou relações consigo ou logrou refinar o cinismo até disso se poupar.

Diário de Notícias (12.agosto.2013)



publicado por livrecomoovento às 09:44
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Quarta-feira, 14 de Agosto de 2013
SEMANA DO MAR - Programas à revelia

Venho ao assunto, no rescaldo da festa, para dizer que adoro a nossa Semana do Mar, que me extasio com a imagem das regatas e outras provas náuticas enchendo de velas o nosso canal, que rapidamente esqueço só ter conseguido adormecer a partir da 4:00 horas da matina, que até nem me importo de, nestas noites, ter que estacionar o carro bem longe de casa…

Quero, ainda, dizer que me orgulho de tudo o que de bom tem sido feito para melhorar e perpetuar esta festividade, do trabalho exemplar do Clube Naval ao longo de todos estes anos, do empenho de pessoas que acompanham, desde então, esta iniciativa pioneira que fez história nos Açores e que passou a ser profusamente copiada em parte do seu figurino.

Estará tudo bem? Impossível. Parar é morrer. Não parámos, mas podemos sempre melhorar e, sobretudo, inovar. Inovar, principalmente, com poucos custos, ouvindo as pessoas interessadas e disponíveis para participar.
Pretendo, assim, provocar alguma reflexão à volta da nossa festa rainha – a Semana do Mar – referindo alguns aspetos que passam despercebidos, mas que poderiam e deveriam ser potenciados como mais uma forma de promoção turística.

Para além de outros eventos que desconhecemos, já é tradição comemorar-se efemérides que juntam antigos colegas ou compinchas à volta duma mesa de restaurante ou tasca, consoante a predisposição para a intimidade ou maior necessidade de extroversão.

Refiro-me concretamente aos convívios de finalistas do, então, Liceu da Horta que tive o privilégio de frequentar, mas estendo a ideia a outras iniciativas do género, em áreas como o desporto, a cultura, ou simples grupos de amigos que se juntavam aos finsde- semana, no Atlético, na União Faialense, na Recreativa Pasteleirense, ou outras, para o jogo das cartas ou dominó, intervalados com uma “fresquinha” ou um “tintol” para os mais velhos e uma laranjada do Ti’ Raimundo para os mais novos.
Se é certo que as festividades religiosas dos padroeiros e as promessas ao Espírito Santo ajudam a mitigar saudades dos parentes e amigos, é assumido que a Semana do Mar junta toda essa possibilidade, alargando-a às Ilhas do Triângulo, em programas à revelia, e que assim poderão permanecer, mas que deveriam ter um acolhimento tácito por parte da Comissão, predispondo-se a acarinhar e dar condições propícias a estas iniciativas. As redes sociais têm promovido e facilitado este tipo de encontros. Pessoas que já não se viam, há décadas, reencontram-se com emoção, apenas se lembram de coisas boas e prometem repetir com maior frequência. Falam da nossa terra e demonstram vontade em ajudar a sua promoção. Estas sinergias carecem apenas do ponto de apoio porque as pessoas são a sua principal alavanca.

 

(Publicado no jornal INCENTIVO)



publicado por livrecomoovento às 10:55
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Terça-feira, 30 de Julho de 2013
O CISCO A ENCOBRIR A TRAVE
VIRIATO SOROMENHO-MARQUES

Dívida sem perdão

por VIRIATO SOROMENHO-MARQUES

A prestigiada revista Nature (ver artigo de Filomena Naves, no DN de 25 de julho) alertou para a "bomba-relógo" representada para o clima e para a economia mundiais pelo iminente colapso parcial do "permafrost" dos fundos marinhos do oceano Ártico, agora exposto ao aquecimento da coluna de água exposta à radiação solar, devido ao degelo das massas de gelo flutuantes. Com isso poderão ser libertados para a atmosfera 50 mil milhões de toneladas de metano, cujo efeito de estufa é vinte vezes mais intenso do que o do dióxido de carbono. E não ficamos por aqui. Estudos sobre o comportamento dos oceanos mostram que a maior parte do calor associado às alterações climáticas está a ser absorvido pelos mares, e que, com uma alta probabilidade, ele será devolvido, parcialmente, à atmosfera, dentro de alguns anos, aumentando, assim, de modo brusco, a temperatura média à superfície do planeta. Por outro lado, a investigação sobre a criosfera, em particular na Gronelândia, revela-nos um processo muito acelerado de desagregação dos glaciares, que provocará, se se confirmar, uma subida, muito mais rápida do que o previsto, do nível médio do mar, tornando o litoral numa zona ameaçada pelo aumento da erosão e da intrusão marinha, danificando as infraestruturas costeiras. Enquanto andamos entretidos com bagatelas como a "dívida soberana", encolhemos os ombros à destruição acelerada da habitabilidade deste planeta que tratamos como se fosse um de entre muitos, e não a única casa onde os nossos filhos poderão sobreviver na solidão do infinito cósmico. A dívida soberana poderá ser reestruturada e amenizada. A dívida ambiental, do futuro que estamos a deixar roubar aos mais jovens, e aos que ainda não nasceram, essa, não tem perdão.



publicado por livrecomoovento às 09:15
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