Sábado, 12 de Setembro de 2009
AEROPORTO DA HORTA

A polémica está de novo instalada. Numa iniciativa que esclareça a actual situação, fiz 2 perguntas, em nome do Grupo Parlamentar do BE, ao Governo Regional, cujas respostas aguardamos ansiosamente.

Aqui fica o registo:

 

Exmº. Senhor

Secretário Regional da Economia

ASSUNTO: Posição do Governo Regional dos Açores sobre o aumento da Pista do Aeroporto da Horta

            Excelentíssimo Senhor 

            Tem sido noticiado em diferentes órgãos de comunicação social que o PS e o seu Governo não irão privatizar a ANA - Aeroportos e Navegação Aérea, EP, nomeadamente a que abaixo se transcreve da página da RTP-N:

PS exclui privatização da ANA

Se for Governo, o PS garante que não vai privatizar a ANA, empresa que gere os aeroportos portugueses. A garantia foi dada por Alberto Martins durante um debate na RTPN com os cabeças-de-lista pelo Porto.

09-09 14:30:41

http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=PS-exclui-privatizacao-da-ANA.rtp&headline=20&visual=9&article=277448&tm=58

 

Estas declarações entram em contradição com as do Senhor Vice-Presidente Sérgio Ávila, no Parlamento, ao afirmar que a ampliação da pista do Aeroporto da Horta está contemplada no caderno de encargos com vista à privatização da ANA, cabendo às entidades que adquirirem o seu capital social a execução desta obra, no âmbito das obrigações de investimento previstas no concurso, criando, assim, um clima de fundada suspeição.

Atendendo às declarações do Senhor Presidente Carlos César, no mesmo dia e no mesmo local, comprometendo o Governo Regional e comprometendo-se também pessoalmente no empenho do processo de ampliação da pista do Aeroporto da Horta, confirmando ter admitido, em 2004, avançar com a obra, à custa do Orçamento Regional; entende o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda/Açores que se torna pertinente esclarecer qual a situação actual, pelo que vimos, por este meio requerer a V. Exa. que responda às seguintes questões:

 

 

 

-         Estava, o PS/Açores e o Governo Regional, a par desta posição do PS e do Governo da República sobre a privatização da ANA, quando os Senhores Presidente e Vice-Presidente do Governo Regional proferiram as declarações acima descritas?

 


 

-         Perante a evidência da não privatização da ANA, o que inviabiliza o actual plano do Governo Regional, quando prevê o Governo Regional dar início às obras de ampliação da pista do Aeroporto da Horta, de acordo com o prometido em 2004 pelo Senhor Presidente Carlos César?

 

 

 

                                   Pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda/Açores

 

                                                           (Mário Moniz)

 



publicado por livrecomoovento às 10:08
link do post | comentar | favorito
|

8 comentários:
De Nuno Moniz a 12 de Setembro de 2009 às 10:34
É a maneira de engonhar mais 4 anos.


De rui a 14 de Setembro de 2009 às 12:42
Pois, é difícil voltar atrás numa promessa politica quando se descobre que tecnicamente não é a melhor opção sem que toda a oposição lhes caia em cima. E agora? Faz-se o mesmo que em S. Jorge? Anuncia-se uma ampliação com pompa e circunstância e no fim de contas as distâncias declaradas quase não crescem para se cumprir com as normas no que toca a zonas de segurança? Ou vai-se mesmo gastar dezenas de milhões para fazer o tal aumento necessário para os voos charter, que no final de contas não é necessário pk não há tráfego que o justifique... Se o fosse já se faziam, com escala técnica ou até comercial na Terceira ou em S. Miguel...


De livrecomoovento a 14 de Setembro de 2009 às 14:58
Caro Rui.
Obrigado pela tua opinião.
A principal questão que me move, não são os voos "charter". Eles poderão ser uma mais valia adicional, dependendo da dinâmica dos operadores turísticos, da nossa capacidade de cativar as Ilhas do Triângulo com esse destino e da vontade política do Governo Regional, no que concerne ao investimento público sem retorno financeiramente expectável a curto prazo.
A principal questão, no meu entender, prende-se com a segurança das pessoas.
De seguida com a condicionante das penalizações que atrofiam, ora a quantidade de passageiros , ora a carga comercial, esta verdadeiramente penalizadora da nossa débil economia. Nota que não temos voos para o nosso aeroporto que transportem somente mercadorias.
Depois com a logística da mobilidade, evitando o excesso de cancelamentos e desvios para outros aeroportos, o que torna impraticável este destino, tanto ao nível turístico como comercial.
Desta situação, resultam grandes prejuízos económicos e desincentivam a procura das Ilhas do Triângulo como destino turístico.
São estes os principais motivos, mas vamos agora à questão política:
A minha luta tem sido sempre para que tudo se faça sem subterfúgios, duma forma sustentada e inserida no progresso de cada local, inserido, de forma harmónica, no todo regional e, assim sucessivamente, mas pondo sempre em primeiro lugar o bem estar das pessoas, a sua elevação pessoal, económica, cultural e social.
O que é que tem acontecido:
Fazem-se obras avulsas, a maior parte delas sem qualquer estudo prévio credível, ao sabor dos interesses ocasionais e pressionadas por "lobbies" partidários com poder financeiro.
Não existe uma coordenação entre quem faz e quem deveria beneficiar da utilização do dinheiro público.
Promete-se quando é necessário e faz-se quando já não há outra hipótese e altera-se o prometido, porque na maior parte das vezes não se tem noção da promessa feita.
Entretanto fazem-se outras que não estavam previstas, mas, porque emblemáticas, dão votos.
Só denunciando sistematicamente esta forma avulsa de governar que conduz inevitavelmente ao descalabro, será possível "meter" algum juízo na cabeça dos nossos governantes.
É com isso que terão que contar enquanto eu estiver na ALRAA .


De rui a 14 de Setembro de 2009 às 17:42
Agradeço também a sua resposta, se me permite alargo um bocadinho a discussão.
Concordo com a sua visão no geral! Mas devo dizer que a segurança das pessoas não pode ser posta em causa e não o é, voluntariamente, na aviação. Assim, a operação para a Horta pode ser limitada operacionalmente, mas não pode ser feita colocando em causa a segurança. Poderemos falar em margem de manobra que poderá ser pequena ou inexistente, dou um exemplo, não se pode andar a tentar suavizar o toque na pista e acabar por se aterrar longo e depois ficar com pouco espaço para parar, mas não se pode dizer que não é seguro porque para se aterrar em qualquer lado há que cumprir com uma série de requisitos que incluem uma pista com comprimento suficiente para parar um avião, considerando que passou pelo inicio da mesma a 15 metros de altura + 60% dessa distância com a pista seca. Com pista molhada esta margem obrigatória aumenta, e daí aparecerem as histórias de bagagens que ficam atrás, porque o que se faz é reduzir o peso da aeronave até que seja tal que permita uma aterragem com todas as margens legais garantidas.
Mas como essas condicionantes operacionais acabam por afectar bastante a capacidade de carga útil das aeronaves, concordo que é necessário aumentar a pista da Horta.
No entanto, e neste contexto, pergunto-lhe porque se fez uma pista para o mesmo tipo de aeronaves com sensivelmente o mesmo comprimento no Pico, sabendo de antemão todas as restrições que daí advém para a operação. Não estávamos a "penalizar a nossa débil economia" dessa vez? E isto num local onde meter mais 300 metros de alcatrão não terá 1/4 dos custos de os meter na Horta ou de meter os 200 metros em S. Jorge.
Atenção que não estou a partir para o bairrismo, considero esses investimentos necessários, aqui apenas quero criticar a falta de visão no que se fez na pista do Pico.
Pode é também considerar que desde logo a ampliação da pista do Pico para permitir voos de Lisboa foi uma das obras que não devia ter sido feita, e nesse caso já o que está feito é muito.
Mas quero acreditar que na lógica de um Triângulo unido, harmónico e destino turístico apetecível, esta obra foi mais que um capricho dos Governantes, e assim terá ficado aquém do operacionalmente desejável.
Penso que todo o malabarismo que vamos vendo no que toca à pista da Horta advém da relativa dificuldade técnica em se fazer um aumento significativo. Qualquer pista acima de uma determinada dimensão que seja sujeita a obras é obrigada desde há alguns anos a incluir áreas de segurança a que se dá o nome de RESA . Estas ainda não foram implementadas na Horta porque sem obras a sua implementação reduziria as distâncias declaradas agravando substancialmente as penalizações da operação para Lisboa, e podem haver excepções a essa regra em caso de locais com constrangimentos morfológicos, como é o caso.
O que isto implica é que, tal como se passa agora com S. Jorge, um aumento de 200 metros no comprimento de pista actual na Horta, deixaria as novas distâncias declaradas para a aterragem praticamente idênticas ás actuais. Ou seja, só se verá um aumento real para as questões operacionais com aumentos superiores a 200 metros, o que dado os constrangimentos de espaço na zona da pista da Horta obriga a um investimento avultado. O que seria do Governo que anunciasse uma ampliação que no fim de contas deixaria a operação no mesmo estado? Ou o que seria do governo que gasta milhões para fazer um aumento real na pista da Horta? A solução parece ser deixar as coisas em águas de bacalhau.


De livrecomoovento a 16 de Setembro de 2009 às 14:41
Olá Rui.
Não quero deixar a impressão que me desinteressei pelo assunto. Muito pelo contrário, apraz-me trocar impressões com quem demonstra conhecimentos que poderão ser um contributo muito útil a esta problemática, aliados a uma visão, no meu ponto de vista, correcta e altruísta, em função do interesse comum e sem bairrismo doentio.
Quero continuar esta troca de impressões e pontos de vista consigo. Infelizmente terei que interromper por uns dias porque estou a preparar a minha participação na Comissão de Assuntos Sociais da ALRAA.
Logo que possível, voltarei ao assunto e agradeço a suas opiniões.
Devia-lhe esta atenção.
Cumprimentos.


De livrecomoovento a 17 de Setembro de 2009 às 17:25
Aproveitando um intervalo nos trabalhos, volto ao assunto do aeroporto. Até porque, por via do do comentário do Rui, acenderam-se várias "luzinhas" em sítios cujo interruptor não tinha sido ainda accionado.
Quando destaquei a segurança das pessoas, não tive qualquer intenção de pôr em causa a competência dos serviços responsáveis, ou das pessoas que os executam. É apenas uma preocupação que está sempre primeiro mesmo que possa não haver razão plausível para ela.
Adiante, ao que realmente poderá estar em causa:
A forma, para mim, exaustiva como explicou determinados condicionantes são esclarecedores de muita coisa.
Devo, para já declarar que não estou a defender a minha dama, mas sim de forma, pelo menos até ao momento, ignorante, a constatar uma necessidade.
Isto não impede que eu esteja plenamente de acordo com as referências do Rui ao Pico e a São Jorge. E, quando utilizei a expressão "débil economia", estava a referir-me às 3 ilhas e ao contexto Açores.
Eu parto do princípio que quando "batem" numa das minhas irmãs, parte-se-me o coração. As minhas origens estão no Pico, onde ainda tenho a maior parte da minha família, nasci e vivo no Faial e tenho um filho a viver e a trabalhar em São Jorge. Penso que está tudo dito, excepto que, como eu, há muita gente nas mesmas condições. Infelizmente..., nem todos pensam como eu. Mas havemos de lá chegar. Este é outro tema que, também, vou abordar.
Voltando ao busílis da questão:
Atendendo às questões morfológicas, de legislação, técnicas, políticas e financeiras; chega-se à conclusão que nos andam a atirar areia para os olhos, porque, em relação ao Pico existe uma pista que tendo medidas razoáveis e espaço para crescer está penalizada da mesma forma forma, portanto não responde a necessidades futuras. Em São Jorge vão fazer obras para, na prática, ficar tudo na mesma, pelas mesmas razões. No Faial, como não há dinheiro, nem vontade política, vai-se protelando a situação até que, por algum motivo "tenha mesmo que ser", mas eventualmente, ir-se-á fazer o mesmo que no Pico ou em São Jorge, ou seja, gastar dinheiro para ficar tudo na mesma.
Estará correcto este meu pensamento pessimista?
Um abraço


De rui a 21 de Setembro de 2009 às 20:20
A questão da segurança é sempre uma questão legítima. Só pretendo desmistificar a ideia de que aterrar numa pista curta é desde logo um acto perigoso.
Ainda sobre este tema, o INAC acaba de revelar que pretende começar a aprovar aproximações através do sistema global de navegação por satélite em Portugal, o que traz grandes potencialidades de melhoria da navegação aérea nos Açores. Mais uma vez não podemos dizer que agora não se voa em segurança, o que acontece é que em pistas como a de S. Jorge, quando não existem condições visuais não se aterra e pronto. Com este sistema poderá criar-se um novo procedimento para a aterragem por instrumentos em S. Jorge, melhorando a operacionalidade do aeroporto e garantido a operação segura em condições que não se poderia operar anteriormente. Isto porque só não se aproxima nessas condições agora porque com a falta de ajudas seria inseguro! Conclusão, só se opera em aeronáutica se for seguro. Claro que há sempre um risco, e em aeronáutica até está contabilizado, será da ordem dos 10^-9 ou 10^-12. O risco 0 na vida não existe, para não haver risco nas nossas viagens a solução é não viajar.
Passando à questão do que foi feito no Pico e se está a fazer em S. Jorge, não podemos literalmente dizer que ficou e vai ficar tudo na mesma. No Pico houve de facto uma mudança significativa, passaram a operar aviões de uma categoria superior, a minha principal crítica é que sendo esse o objectivo das obras se tenha ficado com uma pista que permite a sua operação, mas de uma forma limitada, coisa que nem é novidade dada a experiência na Ilha vizinha. Não é uma questão de não responder a necessidades futuras, não se responde aos objectivos da obra, não permite voos para Lisboa sem qualquer penalização em A320.
No caso de S. Jorge, é verdade que as distâncias declaradas para a aterragem praticamente não mudam, mas aumenta a largura da pista e cresce a distância de descolagem em cerca de 110 metros, distancias estas que encaixam como uma luva nas caracteristicas operacionais do novo avião da SATA, o Q400. Os Jorgenses não podem é ficar na Ilusão de que vão ter mais do que isso. Embora não seja impossível outro tipo de operação, desconfio que seja completamente inviável dadas as severas restrições que um A319 terá numa pista destas. Além disso, em conversa informal, foi-me transmitido que os cancelamentos da SATA no Pico devido aos famosos ventos de Sul, diminuiram com a nova pista. Isto pode ser relacionado com a maior margem de manobra que os 45 metros de largura vêm trazer, aliados ao maior comprimento da pista. O efeito de uma rajada numa fase tardia da aproximação pode ser agora corrigido à custa de uma aterragem mais longa ou ligeiramente fora do eixo de pista, o que seria arriscar com as condições anteriores às obras. Assim, da mesma forma se poderá ver alguma melhoria nas operações em condições meteorológicas menos favoráveis em S. Jorge, dada a maior largura da pista, sendo essa a principal e a razão publicitada para estas obras. E em S. Jorge crescer mais do que se está a fazer agora é, na minha opinião, completamente injustificável, dado a morfologia do local onde está implantada a pista, aliás como se pode ter uma ideia pela solução agora adoptada que já tenta reduzir ao máximo o aterro necessário, mantendo os 150 metros de strip estritamente ao mínimo necessário para se cumprir com as normas da ICAO.
No caso da Horta, como nada está definido e até existem umas propostas arrojadas de mudança da direcção do eixo da pista, não se pode saber com o que contar. Mas dada a história nas outras ilhas e a relutância com que se vai lidando com este assunto, é possível que não haja vontade para se fazer uma obra significativa em termos de aumento das distâncias declaradas.
Um Abraço


De livrecomoovento a 22 de Setembro de 2009 às 17:08
Olá Rui
Fico-lhe muito grato pela forma como, desinteressadamente, partilhou comigo estes pormenores técnicos que certamente estarão a condicionar a vontade política, bem como a sua opinião particular que tenho em conta e consideração.
É um assunto que vai ser muito falado, a curto prazo, quando se discutir, a breve trecho, o PROTA.
Um abraço e o meu muito obrigado.


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
Janeiro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


posts recentes

ESCOLARIDADE OBRIGATÓRIA

PLANO E ORÇAMENTO PARA 20...

O FAIAL E OS TRANSPORTES ...

O Milagre Económico

Os pontos nos iis

NÃO DEIXES QUE DECIDAM PO...

O MEDO E A CACICAGEM

Um político que de irrevo...

SEMANA DO MAR - Programas...

O CISCO A ENCOBRIR A TRAV...

arquivos

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Junho 2006

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds