Segunda-feira, 19 de Abril de 2010
DIVIDIR PARA REINAR

Causa: R.O.U.B.O. (Rendimento Obsceno e Ultrajante, Bestialmente Organizado)

Consequência: Fundo de Desemprego e R.S.I. (Rendimento Social de Inserção)

 

“A historia mostra-nos que o homem, como ser consciente, é susceptível de todas as transformações, persistindo, aliaz, imperiosamente em todas ellas a sua natureza animal, a besta, como muitas vezes na rudeza da phrase o denominam.

Na ausência ou no enfraquecimento da acção social, o que n’elle predomina, são, em verdade, os instinctos e as necessidades biológicas do animal, cuja lei imperiosa e suprema é o egoísmo, e com este o império da força e suas lastimosas consequências, a violência, a extorsão, a injustiça, a iniquidade, etc….”

(Harmonias Sociaes, Cap. 8º.  –  Manoel d’Arriaga)

À medida que nos apercebemos de quanto ganham, em plena crise, gestores de empresas participadas pelo Estado, só em prémios(!), o novo “salvador” do PSD, na senda do populismo do CDS/PP, fez pontaria aos que menos têm e a quem, por norma, é apontada a causa, quando na verdade são uma consequência. A tendência é invariável: tratar os mais desfavorecidos como parasitas. É mais fácil tratar os desempregados como suspeitos do que “meter na ordem” os rendimentos de António Mexia e outros. Passos Coelho virou as baterias contra os pobres e os desempregados. As crises sempre ajudaram a convencer quem nada tem que a culpa é do seu vizinho. E que cada direito conquistado no século passado não passa de um privilégio.

Em quinze dias, o “salvador” descobriu a receita mais fácil. E o mais fácil é promover o ressentimento contra e entre as principais vítimas da crise. É esta a forma que os iluminados do CDS/PP e PSD têm para resolver a crise. É assim que eles querem as pessoas: a acusarem-se umas às outras, convencidos que o miserável do vizinho é o culpado da sua desgraça, até se auto-convencerem que são eles os culpados da sua própria miséria.

Entretanto, a causa continua incólume mercê, em grande parte, da inércia colaboracionista do PS que, “dando uma no cravo e duas na ferradura”, tem um discurso adormecedor à esquerda e práticas inequívocas de cumplicidade com a direita. Cerceiam, por uma lado, os direitos adquiridos pelos trabalhadores enquanto, por outro, colaboram e privilegiam os especuladores da alta finança, verdadeiros causadores da situação que atravessamos.

Quem beneficia do Fundo de Desemprego é quem já descontou para a Segurança Social. O que recebe não é uma esmola, nem um favor, é, sim, um direito de quem já foi solidário e, agora, necessita de solidariedade. O dinheiro não é de Passos Coelho, nem de Sócrates. Não é das Juntas de Freguesia nem outras instituições para onde querem empurrar os desempregados, como se fosse um castigo por estarem nessa situação. O dinheiro pertence a quem descontou para a solidariedade social. É um direito inalienável.

Enquanto estivermos distraídos uns com os outros, sem pôr em causa o verdadeiro fundamento da desigualdade social deste País, a nossa exigência é menor e vamo-nos convencendo que os direitos conquistados durante séculos serão, eventualmente, privilégios e até estaremos dispostos a aliar-nos ingenuamente a quem os quer destruir, ao invés de lutarmos por eles como direitos arduamente adquiridos, pelos quais, e na sua conquista, muitos morreram por nós.

A “nova ordem” destes “salvadores” tem uma estratégia simples: recuar as relações de trabalho para o século XIX.

Mas não teremos, necessariamente, de voltar a trabalhar à jorna, sem segurança social, nem apoio no desemprego e na doença para percebermos quem são realmente os privilegiados. Para que isso não aconteça, basta percebermos que cada ataque a um direito conquistado é um ataque a nós próprios.



publicado por livrecomoovento às 03:05
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