Segunda-feira, 23 de Maio de 2011
INDIGNAÇÃO, PROCURA-SE

A indiferença é a pior das atitudes na vida duma pessoa, é como um suicídio diferido: “já que não posso fazer nada, deixo-me morrer lentamente, entretanto, desenvencilho-me como for possível”. A sociedade vive uma revolta colectiva, mas, paradoxalmente, apenas encontra expressões de indignação individual, motivadas pelo desespero de cada indivíduo que se sente atraiçoado na esperança que depositou naqueles em que votou para governarem no interesse do progresso e na defesa do bem comum.

Assiste-se a uma perplexidade colectiva perante a falta de explicação credível do que nos possa ter conduzido a este estado lastimoso em que se encontra a nossa sociedade, não só em Portugal, mas por toda a Europa e na maioria do Mundo. É inconcebível que, perante a crescente riqueza global, se viva no maior fosso entre ricos e pobres dos últimos dois séculos. É inaceitável que se destrua progressivamente os recursos do planeta com o único fim do lucro a curto prazo e do domínio financeiro global, ao mesmo tempo que se aumenta a miséria e a dependência das pessoas.

O facto dos culpados não terem “um rosto”, mas sim uma amálgama de “testas de ferro” que vão passando pelos cargos executivos e, logo de seguida, ocupando os lugares que eles próprios previamente criaram com esse objectivo, dissimula, confunde e torne difícil distinguir os verdadeiros causadores da situação.

As pessoas são usadas na corrida desenfreada que os especuladores financeiros, jogando ao tradicional monopólio numa outra esfera de interesses, fomentam entre si, enquanto “brincam” com a vida daqueles que desempenham um papel numérico pertencente a um conjunto desumano de estatísticas.

Essas mesmas pessoas entretêm-se a apreciar, quem vai ganhar o debate, quem vai “entalar” o outro, quem é mais simpático, quem diz mais asneiras, quem consegue “dar a volta”, … Como se todo este “teatro” fosse um fim e não um meio de diversão e fuga à discussão e descoberta de soluções para os nossos problemas.

Surge, depois, o estigma da sensação de impotência para alterar este paradigma em que nos encontramos agrilhoados. Recalcam-se as raivas por nos termos deixado enganar. Não damos “o braço a torcer” por sabermos que, na realidade, somos os verdadeiros culpados da situação por não termos tomado a decisão certa no momento devido.

Passamos então à fase seguinte do suicídio diferido e, cinicamente, vamos dizendo que queremos fazer o melhor possível pelo futuro dos nossos filhos quando, no dia-a-dia, hipotecamos e assinamos a penhora das suas vidas.

Resta-me a esperança de que nos indignemos de forma consequente e se transforme a revolta surda em determinação com objectividade.



publicado por livrecomoovento às 01:54
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Quarta-feira, 11 de Maio de 2011
VERDADEIRO OU FALSO? OU ANTES PELO CONTRÁRIO?

O que disseram três banqueiros   portugueses:

 

 Fernando Ulrich (BPI) (Banco Português de Investimento)

29 Outubro 2010 - "Entrada do FMI em Portugal representa perda de credibilidade"

26 Janeiro 2011 - "Portugal não precisa do FMI"

31 Março 2011 - "... por que é que Portugal não recorreu há mais tempo ao FMI?"

 

Santos Ferreira (BCP) (Banco Comercial Português)

12 Janeiro 2011 - "Portugal deve evitar o FMI"

2 Fevereiro 2011 - "Portugal deve fazer tudo para evitar recorrer ao FMI"

4 Abril 2011 - "Ajuda externa é urgente e deve pedir-se já"

 

Ricardo Salgado (BES) (Banco Espírito Santo)

25 Janeiro 2011 - "... não recomendo o FMI para Portugal"

29 Março 2011 - "Portugal pode evitar o FMI"

5 Abril 2011 - "... é urgente pedir apoio .. já!"

 
 Estamos entendidos?!

 



publicado por livrecomoovento às 13:12
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Terça-feira, 10 de Maio de 2011
PASSIVIDADE DOENTIA

A leitura duma reportagem na revista VISÃO, da autoria de Paulo Pena, sobre a Islândia, fez-me pensar na diferença das atitudes que norteiam islandeses e portugueses, e as formas de reagir, tão divergentes, que um e outro povo têm ao encarar os seus problemas.

As comparações, relatadas por um português que vive na Islândia ("A população, aqui, é muito activa. Os portugueses toleram muito... Aqui, não há tanta tolerância como em Portugal."), e uma islandesa, Gudlaug Run Margeirsdóttir, que casou com um português ("Os islandeses são menos complacentes. No dia a dia, os portugueses são mais críticos. Os islandeses são mais reservados. Em Portugal, pode dizer-se que 'isto é uma porcaria' e continuar a gostar de viver assim. Parece que os portugueses têm medo de ser um pouco mais agressivos. Às vezes, pergunto-me por que os portugueses não agem mais em vez de falarem tanto...") são sintomáticas do porquê da situação política que se vive em Portugal.

Protestamos por tudo, mas não passamos das palavras. Contestamos a corrupção, o tráfico de influências, os favores para os “afilhados”, …, e a atitude mais comum é ouvir-se dizer: “não voto mais”, “votar para quê?”, “vou votar em branco”, “são todos iguais”, ou outras expressões que só demonstram a razão do conceito subjacente à ideia que Gudlaug Run Margeirsdóttir tem dos portugueses.

Por que motivo somos incapazes de dizer “basta!” a quem, deliberadamente, nos espezinha e constantemente engana e, no entanto, há quem seja capaz de perseguir e agredir quem cometeu um erro de arbitragem, sem se certificar da sua intencionalidade?

Será preferível barafustar com o malandro do vizinho que não quer trabalhar, ou com quem nos “amarra”, de forma a não permitir que, quem quer, possa exercer esse direito?

Não será também malandrice, ou cobardia, descarregar o ódio no mais fraco em vez de enfrentar o prepotente?

É comum ouvir os comentadores de serviço dizer que temos vivido acima das nossas possibilidades. Mas nunca os ouvi explicar como, quem e porquê. Não podemos comparar uma família que poderia ter evitado comprar uma televisão nova, acima das suas possibilidades, com quem esbanja a torto e a direito, só porque vive, financeiramente, acima das suas necessidades. A primeira é “falta de tino”, mas a segunda é um crime económico contra o País.

Todos gostaríamos de apresentar um remédio para fazer Portugal sair da crise, mas a maior parte de nós continua à espera dum milagre. Não há milagres em economia. Os milagres económicos são conseguidos por nós quando demonstramos vontade, capacidade e confiança nos objectivos que desejamos alcançar.

Este momento de crise pode ter a vantagem de nos obrigar a olhar com mais atenção para o têm sido as nossas falhas e a pensar em novas atitudes, capazes de a superar. O remédio está em nós e não em quem nos promete “ajuda” para mais nos “enterrar”.

Não acredito em fatalidades, mas também não acredito em mudança política sem mudança de atitude de quem vota. É assim em democracia.



publicado por livrecomoovento às 01:57
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Domingo, 1 de Maio de 2011
EM MEMÓRIA DO 1º. DE MAIO

O 1º. de Maio é vermelho.

Vermelho, do sangue dos trabalhadores que deram a vida na luta do trabalho contra o capital.

A minha homenagem a quem por mim lutou.

Prometo continuar a mesma luta.

Haverá sempre alguém para dizer NÃO!



publicado por livrecomoovento às 12:04
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