Domingo, 19 de Junho de 2011
OS FUNDOS DO FMI

(Fome, Miséria e Intolerância)

Imagino que muita gente deve questionar-se sobre a forma como o FMI consegue todo o dinheiro que quer para poder emprestar aos Países que tenham caído em desgraça.

Não me consta que tenham investimentos em qualquer sector produtivo e os seus quadros são todos da área financeira.

Não vejo à venda qualquer produto da marca FMI, excepto aquilo a que cinicamente chamam ajuda financeira, mas que, na realidade, não passa de empréstimos agiotas. Também nunca ouvi falar em qualquer fábrica, mesmo em Países de mão-de-obra totalmente precarizada, que labore na transformação de matéria-prima por conta destes “senhores”.

Assim, pelo que me é dado entender, existe um “poço sem fundo” onde o FMI se abastece para simular uma “ajudinha” e retirar chorudos proventos. Em boa verdade, esta organização agiota não investe dinheiro seu; age apenas da mesma forma que o tipo que comprou o banco com um cheque sem cobertura (no dia seguinte já podia autorizar o pagamento do cheque porque era o Presidente da Administração), ou seja, com o dinheiro que supostamente há-de vir.

Jogar com o dinheiro dos outros é fácil.

Dinheiro dos outros?! Sim, o pouco dinheiro que sobra aos mesmos que vão apertar o cinto para pagar aos especuladores o que estes lhes sonegaram através dos juros, cobrados nos cartões de crédito impingidos e nos financiamentos, enganadoramente fáceis, concedidos pelas financeiras, para comprar o supérfluo. É este o dinheiro que há-de vir.

É esta uma das formas que os especuladores têm de realizar fundos a partir do “nada”, à custa do endividamento das famílias que são “simpaticamente obrigadas” a consumir para além das suas possibilidades. E, com descaramento, vêm dizer que o problema é vivermos acima das nossas possibilidades, quando foram os próprios fomentadores do consumo desenfreado, com o objectivo do lucro fácil e a curto prazo?!

A tendência generalizada, incutida pelos “fazedores de opinião”, para discutir consequências pré definidas, sem analisar as causas do problema, tenta conduzir as pessoas à assunção da inevitabilidade da solução única. Não dão margem a que se ponderem alternativas, impedem a equação económica do problema e fogem à responsabilidade política da sua origem.

As crises económicas estão directamente ligadas às crises financeiras e são, mesmo, uma relação causa consequência (mais consequência para nós) em que os especuladores semeiam a confusão para que não se discirna qual o verdadeiro motivo da sua origem.

A economia não se dinamiza porque não há capacidade financeira para investir; mas, porque não se investe, ela degrada-se progressivamente até à estagnação. Deliberadamente, é escamoteado o destino dos lucros obtidos. Os bancos não promovem o aumento do seu capital social, como é sua obrigação, mas distribuem dividendos chorudos aos accionistas. Não apoiam convenientemente as pequenas e micro empresas, mas endividam-se nos mercados para emprestar dinheiro fácil ao consumo supérfluo.

O sistema capitalista, na ânsia de se reformular, na continuidade dos objectivos que persegue, provoca estas crises cíclicas, de forma deliberada, pois são a táctica mais frutuosa com vista à sua finalidade estratégica. Os comentadores, pagos para dizer o que convém, encarregam-se de aterrorizar as pessoas de tal forma que estas se auto convencem da culpabilidade da situação e da inevitabilidade das soluções protagonizadas. Assim, como já referi, não conseguem equacionar outra solução alternativa, nem perceber que este ciclo está propositadamente viciado e surge em períodos cada vez mais curtos.

Os especuladores não deixam as economias dos países “respirar”. Quando injectam dinheiro num é para recuperar o investimento e cobrar dividendos, mas, e sempre de igual modo, a troco de brutais exigências que restringem capacidade de autonomia económica a cada País e, consequentemente, aumentam a sua dependência financeira.

É o “três em um” dos mercados. Retiram lucros chorudos, aumentam a dependência externa dos países e perpetuam a sua forma de viver à custa do sofrimento e do progressivo empobrecimento das pessoas.



publicado por livrecomoovento às 13:06
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

Terça-feira, 7 de Junho de 2011
PATRÕES OU EMPRESÁRIOS?

Na fórmula política adoptada por Portugal e pela Europa, é ao Estado que cabe definir a estratégia económica, incentivando o que mais interessa, regulamentar o funcionamento de determinadas actividades, promover a construção das infra-estruturas físicas e administrativas e conduzir directamente as empresas básicas (aquelas que, naturalmente, se constituem como monopólios).

A partir destes pressupostos, é ao sector empresarial, independentemente de ser público ou privado, que cabe a acção fundamental do processo de desenvolvimento e crescimento económico do País.

É a quem dirige as empresas que deve ser pedida responsabilidade pelos resultados dos incentivos que o Estado concede para que seja implementada a política económica definida pelo Povo que votou e elegeu os seus representantes, mediante os programas que os respectivos Partidos apresentaram a sufrágio.

Num País culturalmente avançado, de cidadãos de mente livre e esclarecida, seria este o normal funcionamento do poder representativo e do prestar de contas pela sua aplicação.

Mas, para que isto pudesse acontecer seria necessário que os respectivos gestores e empresários tivessem plena consciência da importância que lhes cabe, não só no processo de crescimento e desenvolvimento económico, mas também na responsabilidade pelo bem-estar e progresso social de todos os que contribuem para esse desenvolvimento.

É natural que, na sua actividade, o empresário tenha em mira a obtenção de lucro, o correspondente ao seu investimento, o justo prémio da sua capacidade de iniciativa e a remuneração do risco assumido. O que não pode é, aproveitando os incentivos e facilidades, proporcionadas pelo Estado com a finalidade de desenvolver a economia, apoderar-se de todo o lucro obtido, sem olhar ao fortalecimento e estabilidade da empresa, ao dever de contribuir com os seus impostos para quem o apoiou e criar melhores condições económicas, sociais e de trabalho a quem lhe forneceu a força que permitiu os lucros obtidos.

Será esta a atitude mental da maioria dos gestores públicos e empresários portugueses? Decididamente, NÃO. A experiência da nossa realidade empresarial aponta para uma confrangedora pobreza na maneira de proceder e pensar de muitos dos nossos empresários. Houve e há excepções, mas tanto neste, como em outros domínios, as excepções apenas chegam para confirmar a regra.

Tenho a sensação que alguns dos nossos empresários ainda pensam numa empresa com o espírito das antigas doações com que os reis brindavam os seus fiéis cortesãos. Um título nobiliárquico que dava o direito ao feliz contemplado de receber a respectiva renda sem mais nada ter que fazer.

Um empresário, digno de tal nome, sabe que numa empresa não pode existir a palavra estagnação. Uma empresa, ou cresce e se desenvolve, ou estiola e morre. É, pois, aos empresários portugueses que cabe, em primeiro lugar, a responsabilidade do desenvolvimento, ou da estagnação, da nossa economia. E de nada lhes serve atirar culpas para a legislação, para os governos e, muito menos, para os trabalhadores, porque são estes os mesmos que “lá fora” são considerados trabalhadores de primeira.

O problema está no facto dos nossos gestores públicos e empresários pensarem que o papel de senhor feudal foi substituído pelo de patrão.

O mal não está em quem obedece. O mal está em quem não sabe mandar.

Patrões dispensam-se porque foi a mentalidade que nos conduziu a este precipício. Empresários precisam-se para que a nossa economia de desenvolva e progrida.



publicado por livrecomoovento às 02:05
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Janeiro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


posts recentes

ESCOLARIDADE OBRIGATÓRIA

PLANO E ORÇAMENTO PARA 20...

O FAIAL E OS TRANSPORTES ...

O Milagre Económico

Os pontos nos iis

NÃO DEIXES QUE DECIDAM PO...

O MEDO E A CACICAGEM

Um político que de irrevo...

SEMANA DO MAR - Programas...

O CISCO A ENCOBRIR A TRAV...

arquivos

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Junho 2006

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds