Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
A DEMOCRACIA ESTÁ SEMPRE EM PERIGO - AGORA, MAIS DO QUE NUNCA

Isto de direita e esquerda, infelizmente, também é de modas quando devia ser resultado do aprofundamento duma filosofia de vida e uma forma de estar nela. A moda direitista que avassalou a Europa entrou na fase de "Canto do Cisne", lá, porque na Península Ibérica, talvez por efeito da difícil e estreita fronteira entre França e Espanha, as novidades boas tardem a chegar. As más são mais rápidas que a banda larga e pegam mais facilmente que a gripe. Pior que isso, tardam em sair. Da vez anterior infestou-nos durante quase cinquenta anos.
Espero que desta, nem chegue a cinco, porque já não bastando as derivas dos anos socráticos com os seus malfadados PEC, estes últimos meses já nos fizeram retroceder um século na evolução social da humanidade com austeridade sobre austeridade, acordos unilaterais sempre em benefício dos mesmos, perda de soberania financeira e imposições orçamentais, escalada da recessão e aumento exorbitante do desemprego. Só desgraças e, todas baseadas em mentiras, em promessas cuja intenção já era não cumprir.
Temos um Presidente da República que não diz - como se alguma vez tivesse dito, mas o exagero já atingiu o ridículo – “coisa com coisa”. Um Primeiro Ministro mentiroso que, com ar afável, nos afirma hoje o que contraria amanhã. Um Ministro das Finanças – qual Xerife de Nottingham - que todos os dias rouba os pobres para entregar aos ricos. Um Ministro da Economia que só promete recessão e desemprego, um tal Relvas que chama Metrópole ao Continente e trata a Região Autónoma dos Açores como uma infra-colónia…
Mandam emigrar quem tiver boas habilitações académicas e competências profissionais, desinvestem na formação, arrasam com a cultura, vendem a preço de saldo tudo o que possa constituir receitas para o Estado, amarfanham e espezinham quem trabalha e contribui para a economia do País.
Tudo isto porquê, e para quê?
A Grécia, berço da democracia, foi empurrada para a bancarrota. Emprestaram dinheiro aos gregos para, depois, os obrigarem a comprar material bélico obsoleto e carros, tudo de marca alemã, em vez de fomentarem o desenvolvimento da economia e a auto-suficiência. Dispararam-lhes depois os juros – há taxas que ultrapassam 100% - para que nunca pudessem pagar a dívida contraída. Agora querem exigir-lhes que abdiquem da sua soberania, para que um Comissário dos bancos alemães vá roubar o máximo possível, antes de abandonar aquele país à sua sorte.
Segue-se Portugal, onde as diferenças que dizem distinguir-nos são, cada vez, mais semelhanças que nos aproximam.
Os Governos de Cavaco Silva na República e Mota Amaral nos Açores, destruíram a agricultura, as pescas e os transportes marítimos, ou seja, a base da nossa soberania alimentar e a mobilidade de pessoas e bens. Receberam os apoios europeus quando não havia controlo comunitário e gastaram-nos com a clientela política em betão e alcatrão. Em todos estes anos que se seguiram, nem a República recuperou do desmando, nem os governos PS, nos Açores, lograram inverter a caminhada para o beco. Apenas conseguiram o desenvolvimento da pecuária, com destaque para os laticínios que, agora, se encontram numa encruzilhada.
Apesar de tudo isto, o acordo assassino da economia portuguesa que o governo do PSD/CDS impôs na República, é considerado um bom acordo pelo Presidente do Governo Regional dos Açores que se diz socialista.
A Democracia está em perigo e os vampiros já andam em visitas a todas as Ilhas, porque Outubro está à porta.



publicado por livrecomoovento às 03:21
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
O regresso da Velha Senhora

 

 

A Antena 1 acabou com a rubrica de opinião "Este Tempo" após, numa crónica de Pedro Rosa Mendes, aí ter sido criticado o servilismo do Governo face ao regime corrupto de Luanda e o tipo de jornalismo que, pago a peso de oiro com dinheiros públicos, sabuja, sob o diáfano manto da "informação", cada poder do momento. A decisão recorda-me episódios idênticos vividos no JN antes de 1974. Um em que uma crónica de Olga Vasconcelos sobre Indira Ghandi, filha de Nehru (que ordenara a invasão da "Índia Portuguesa"), levou à ordem de encerramento da rubrica onde fora publicada; e um outro que pôs fim ao Suplemento Literário dirigido por Nuno Teixeira Neves por aí não ter sido devidamente louvado um medíocre romance do escritor do regime Joaquim Paço d'Arcos. Os dois jornalistas só não foram despedidos porque tiveram o apoio do então director Pacheco de Miranda e, no primeiro caso, também do chefe de Redacção Costa Carvalho. As personagens são agora outras, ou as mesmas com outros nomes, mas as semelhanças são inquietantes (só não há na Antena 1 Pachecos de Miranda nem Costas Carvalhos). E vivemos, diz-se, em democracia, regime em que a Velha Senhora, a Censura, não tem, diz-se, lugar. Mas por algum motivo 64,6% dos portugueses estão hoje, segundo o "Barómetro da Qualidade da Democracia" apresentado há dias, insatisfeitos com a democracia que temos, quando em 1999 mais de 80% a consideravam "boa" ou "muito boa".



publicado por livrecomoovento às 17:49
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Domingo, 22 de Janeiro de 2012
As duas confianças

Opiniao | 21 Janeiro, 2012 | Por José Manuel Pureza

O discurso da direita sobre a confiança faz-se para manter intocado algo que é, por definição, tudo menos digno de confiança: o primado dos mercados financeiros.

A retórica da confiança e da estabilidade tem sido um dispositivo importantíssimo da ação política do Governo. "O caminho é restaurar a confiança. Porque nós só vamos conseguir crescer quando os investidores começarem a acreditar na recuperação." A fórmula, declinada em versões várias, mostra ao que vem: a dita confiança é seletiva, é a confiança dos "investidores". E a estabilidade virá, enfim, quando os ditos "investidores" tiverem a confiança toda.

Neste discurso há dois silêncios estridentes. O primeiro é o que cala a instabilidade indesmentível dos "investidores". O segundo é o que cala a falta de confiança crescente dos "não investidores" no seu próprio futuro. Vamos por partes.

A confiança dos mercados (versão José Sócrates) ou dos investidores (versão Passos Coelho) é uma questão de fé. Está difícil, não se vislumbra, mas os crentes estão certos de que um dia ela virá. E para antecipar essa vinda, os oficiantes do deus mercado oferecem os sacrifícios que forem necessários. E sobretudo os que forem desnecessários. Sacrifícios dos outros, claro, nunca dos próprios. E esse é precisamente um primeiro silêncio espesso deste tempo. O discurso da direita sobre a confiança faz-se para manter intocado algo que é, por definição, tudo menos digno de confiança: o primado dos mercados financeiros. É uma escolha ideológica disfarçada de imposição da história. Em vez de apontar para uma confiança sólida, socialmente partilhada, que implicaria medidas corajosas para poupar a sociedade às febres especulativas dos "investidores", o que o Governo nos vem dizer é que a confiança é algo reservado aos que vivem dessas febres, é a confiança deles a única que devemos salvaguardar. E que toda a política - isto é, todas as escolhas decisivas para a comunidade - se deve assumir como refém desse privilégio de alguns poucos.

Ora, o outro lado da confiança dos "investidores" é a perda de confiança dos "não investidores" na sua vida quotidiana e no futuro. Um trabalhador que vê o seu salário diminuído (quer pela baixa do custo horário do seu desempenho quer pela supressão de dias de férias e feriados), uma bolseira que tem a sua precariedade laboral eternizada, um desempregado cujo subsídio para que descontou lhe é reduzido, uma reformada que deixa de receber parte da pensão já de si paupérrima - todos experimentam atónitos o incumprimento dos compromissos elementares que a sociedade tinha com eles estabelecido. Há um contrato em que assentaram as nossas vidas e que é rasgado súbita e unilateralmente. Que confiança podemos ter? Diz-nos a direita que, como em todos os contratos, a alteração substancial das circunstâncias pode ditar a sua alteração. Pois seja. Mas porque é que só dita para os "não investidores"? Porque é que essa alteração substancial das circunstâncias não para de reforçar a satisfação de tudo quanto é vontade (real ou presumida) dos "investidores"?

Ontem mesmo era tornado público um estudo com uma conclusão preocupante: só pouco mais de metade dos portugueses acham que a democracia é melhor do que um governo autoritário. Essa é a expressão maior da perda de confiança da generalidade das pessoas - os "não investidores" - em que lhes será permitido ter uma vida digna. Que o mesmo estudo revele que 89% dos inquiridos entendem que o que é mesmo importante na democracia é haver um nível de vida digno para todos os cidadãos, mostra as razões fundas da desconfiança crescente na democracia. Para os "investidores" isto pode até ser uma boa notícia - um Estado autoritário dá- -lhes garantias acrescidas de confiança.

Artigo publicado no jornal “Diário de Notícias” de 20 de janeiro de 2012



publicado por livrecomoovento às 14:35
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Sábado, 21 de Janeiro de 2012
Por falar em nomeações

- Denúncia dum funcionário público

 Para conhecimento de alguns atentados que os funcionários do Estado são vitimas e dos quais passam como culpados, eis 3 casos que se passam na chafarica secretaria de estado onde me encontro a prestar serviço e que julgo dever dar a conhecer a todos, já que a comunicação social se ocupa mais em dar cobertura aos diversos violadores.

Por profissionalismo não irei contar casos de âmbito funcional de algumas instituições dependentes da secretaria de estado da cultura, os quais levariam à violação do dever de sigilo e que poriam certamente os cabelos em pé de muitos. Mas lá vão 3 casos que apesar de encobertos são públicos:

Na página da internet
http://www.portugal.gov.pt/PT/GC19/GOVERNO/NOMEACOES/SEC/Pages/Nomeacoes_SEC.aspx, onde consta muita engenharia financeira, charlatanices, poderão consultar uma vasta lista de nomeados para a SEC, a qual está desactualizada em função de mais nomeações que entretanto ocorreram.

 


1º caso

 

Nessa lista constam4 motoristas,sendo que apesar de terem sido informalmente todos propostos no mesmo dia, 3 deles têm a data oficial de nomeação a 28.06.2011,o outrotem como se pode ver no anúncio que se segue, a data de nomeação é 18.07.2011. Sabem porquê? Porque estava à espera de lhe ser emitida a carta de condução que acabara de tirar.


Entretanto, recebi um mail via pombo correio que informava que o rapaz de 21 anos e de origem brasileira tem uma longa experiência em carrinhos automáticos e que foi proposto por um emissário do Paulo Portas, o qual tinha muito boas referências do rapaz desde que frequentou um ginásio com massagens, ou seja, SPA. Com tantos motoristas do extinto ministério da cultura e de outros organismos públicos na situação de mobilidade, só sendo muito bom é que este lhes tirou a condução.

Motorista - André Viola
2011-07-18
Cargo: Motorista
Nome: André Wilson da Luz Viola
Idade: 21 Anos
Vencimento mensal bruto: 2.610,01€ (mais horas extraordinárias, massagens incluídas)
Contacto:
gabinete.cultura@sec.gov.pt
 
2º caso
 
A senhora que se segueé uma especialista em Economia e como tal fez grande parte da sua carreira (como se poderá ver no CV anexo à Resolução que transcrevo), no departamento da Higiene Urbana e Resíduos da CMLisboa.
 

Como profunda conhecedora dos procedimentos da administração pública, há cerca de um ano concorreu para técnica superior do Ministério de Educação. Nessa altura como os alternantes eram outros, a senhora foi legalmente excluída por falta de condição obrigatória (vínculo à administração Central do Estado).

Pois é, mas os tempos mudaram e a senhora em Junho deste ano foi nomeada (facto oculto no tal CV) Directora de Recursos Humanos (outra espécie de resíduos sólidos) da IGAC, onde nunca ninguém a viu, pois a nomeação dela foi por 3 dias, tendo sido de imediato requisitada para a SEC, ou seja, qualquer coisa que corra mal regressa como Directora de Serviços, o resto ninguém sabe e são cantigas.

Mas nada corre mal às pessoas competentes em matérias do reino do ocultismo e eis que a senhora passados 5 meses, como os 4.163,27€, fora os extras, não lhe chegavam é nomeada Administradora do Teatro D. Maria II. Aqui temos o exemplo da capacidade das pessoas saberem estar no local certo à hora certa, pois a senhora como especialista em Higiene Urbana vai ser de vital importância no combate aos pombos que lá fazem as suas necessidades.
 

Colaboradora/Especialista - Sandra Simões
2011-07-05
Cargo: Colaboradora/Especialista
Nome: Sandra Maria Albuquerque e Castro Simões
Idade: 39 Anos
Vencimento mensal bruto: 4.163,27€
Contacto:
gabinete.cultura@sec.gov.pt

Diário da República, 2.ª série — N.º 239 — 15 de Dezembro de 2011 Resolução n.º 21/2011.
Nos termos do n.º 2 do artigo 6.º dos Estatutos do Teatro Nacional D. Maria II, E. P. E. (TNDM II, E. P. E.), aprovados em anexo ao Decreto -Lei n.º 158/2007, de 27 de Abril, os membros do conselho de administração são nomeados por resolução do Conselho de Ministros, sob proposta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da cultura.
Considerando que terminou, entretanto, o mandato dos membros do conselho de administração do TNDM II, E. P. E., torna -se necessário e urgente proceder à nomeação dos novos membros do órgão de administração a fim de garantir o regular funcionamento deste Teatro Nacional.
Considerando que as empresas públicas da área da cultura, no âmbito do processo em curso de optimização dos recursos públicos, vão ser objecto, a curto prazo, de alterações estatutárias e agrupadas num acordo complementar de empresas, os mandatos dos membros do conselho de administração que ora se nomeiam terminarão, excepcionalmente, com a entrada em vigor da legislação que vai concretizar a reorganização das empresas públicas do Estado da área da cultura.
Assim:
Nos termos do n.º 2 do artigo 6.º dos Estatutos do TNDM II, E. P. E., aprovados em anexo ao Decreto -Lei n.º 158/2007, de 27 de Abril, e da alínea d) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
1 — Nomear, sob proposta do Ministro de Estado e das Finanças e do Secretário de Estado da Cultura, o licenciado Carlos Manuel dos Santos Vargas e os licenciados António Maria Trigoso de Lemos Taborda Pignatelli e Sandra Maria Albuquerque e Castro Simões para os cargos, respectivamente, de presidente e vogais do conselho de administração do TNDM II, E. P. E., cujas notas curriculares constam do anexo à presente resolução e da qual fazem parte integrante.

 

3º caso

Por fim temos o caso da tal raparigaque ganha mais que todos os outros nomeados, 5.724,31€, mais que o Chefe de Gabinete do secretário de estado e muito mais que qualquer outro assessor, sendo que até lá há gente que gosta e sabe trabalhar.

Há quem diga que a senhora que referi anteriormente se terá empertigado com a situação desta, pois ganhava 2/3 e até já tinha 3 dias de cargo de Direcção na Administração Pública e esta a única experiência que tinha com a Administração Pública era a de escrever o endereço nas cartas e no mail a enviar pedidos de fiscalização às lojas de fotocópias, no intuito destas serem pressionadas (obrigadas) a pagarem à AGECOP (associação de gestão de direitos de autor) uma exorbitância para (i)legalmente poderem fazer algumas fotocópias.

Como Directora dessa grande empresa de Exportação, perdão, associação de exploração de direitos de autor a senhora ganha de ordenado, fora tudo o resto, e é muito mais, os miseráveis 4.724,31€.  Digo miseráveis pois como sabem o contributo desta senhora é fundamental para os autores deste país que ganham muitos milhares a mais que ela e que sem o esforço desta humilde senhora nada teriam.


Adjunta - Vera Castanheira
2011-06-28
Cargo: Adjunta
Nome: Vera Maria Duarte Mendes Castanheira
Idade: 32 Anos
Vencimento mensal bruto: 5.724,31€
Contacto:
gabinete.cultura@sec.gov.pt

Desculpem o desassossego, mas é o contributo que penso poder dar contra o massacre a que estamos a ser submetidos.

Saúde e Protecção dos DEUSES, pois um só não chega

É UM GOSTO VIVER NESTE PORTUGAL DELAPIDADO...POR ESTES ALEGADOS SOCIAIS DEMOCRATAS E DEMOCRATAS CRISTÃOS...POIS! AO DOMINGO VÃO À MISSA... E NA SEGUNDA-FEIRA SEGUINTE  JULGAM-SE LIMPOS E ABSOLVIDOS DE TODOS OS CRIMES QUE DURANTE A SEMANA  VÃO REINCIDINDO, EM TOTAL IMPUNIDADE! NO DOMINGO SEGUINTE VOLTAM A IR À MISSA!...

 

ATÉ QUANDO VAMOS PERMITIR ISTO, AO MESMO TEMPO QUE  NOS VÃO ROUBANDO TODOS OS DIAS?!



publicado por livrecomoovento às 10:37
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
Dois "dumpings" e duas autonomias
       
 
zuraida_soares_site.jpg

Zuraida Soares 

 

Também podíamos dizer ‘dois pesos e duas medidas’ mas, assim, vamos mais directos ao assunto. A ASAE apreendeu milhares de litros de leite, por suspeita de dumping, crime económico que consiste em vender produtos por preços abaixo do valor de mercado, visando prejudicar a concorrência. E a concorrência, neste caso, são os nossos agricultores que já se confrontam com um cenário de grandes dificuldades - partilhadas, aliás, com um grande número de consumidores. Daí que estes últimos privilegiem, obviamente, todas as promoções que aliviem os custos de produção das suas vidas quotidianas. 

Acontece, porém, que os descontos de hoje têm, a prazo, custos elevadíssimos, ao nível do desemprego, da crise económica, do défice e da dependência externa. Portanto, a ASAE fez o que se esperava que fizesse.

 

Quem fez exactamente o contrário do que devia foi a maioria PSD/CDS, na Assembleia da República, ao rejeitar todas as iniciativas de outros partidos que visavam combater a fuga ao fisco dos grandes grupos financeiros – prática que se tornou regra, entre as maiores empresas portuguesas. Deslocalizar capitais para outros países com taxas de impostos mais baixas é uma possibilidade fomentada pela prática de dumping fiscal, isto é, pela concorrência desleal entre Estados, concentrando nuns os capitais financeiros que fogem a outros.

 

De dumping em dumping, quem paga são os contribuintes e quem perde são os recursos públicos – os nossos, claro. Por outro lado, ficámos a saber que os funcionários no activo do Banco de Portugal já receberam o subsídio de férias deste ano e irão também receber o subsídio de Natal, dada a natureza do estatuto e consequente autonomia do banco em questão – estatuto que, pelos vistos, põe os seus trabalhadores a salvo do confisco a que todos os outros funcionários públicos estão sujeitos.

 

Pelo contrário, nos Açores, Região Autónoma e com Estatuto próprio, o Governo Regional obrigou-se a cumprir um roubo a que outros – bastante menos autónomos do que nós – se furtam. De autonomia para Autonomia, quem paga e quem perde são os/as Açorianos/as...



publicado por livrecomoovento às 20:56
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Domingo, 15 de Janeiro de 2012
IDEIAS PEREGRINAS E UMA MÃO CHEIA DE NADA

Já não bastava a campanha com o propósito de pôr pobres contra miseráveis, levada ao extremo de uns e outros chegarem a ponderar ser os principais culpados da situação calamitosa em que vivemos, aceitando os constantes excessos de austeridade a que são submetidos, expiando um pecado que não cometeram, assistindo, sem perceber, ao seu progressivo empobrecimento a par da concentração de riqueza na mão dos mesmos de sempre.
Já não bastava a subversão de valores da humanidade e o respeito pela natureza, a apologia do egoísmo em detrimento da solidariedade, a instituição do individualismo e da concorrência desleal, do salve-se quem puder, e só se salva quem dominar ou destruir os que estiverem à sua volta.
Já não bastava a destruição dos princípios básicos da democracia e da cidadania, o desrespeito pelo trabalho como a principal alavanca da economia ao serviço das pessoas, o desinvestimento no ensino, na cultura, na ciência, na formação cívica e no aperfeiçoamento profissional em favor da especulação financeira, em benefício dos grandes grupos financeiros que se dizem económicos, mas que desvalorizam o progresso económico e o submetem aos seus desígnios de ganhos e de concentração de poder.
Já não bastavam as associações criminosas, máfias internacionais, que matam por “dá cá aquela palha” quem se lhes atravesse no caminho…
Assistimos, agora, a novos assaltos que encaixam perfeitamente num plano mais vasto de destruição, já não só de valores, mas das próprias organizações e formas de associação que as pessoas, em diversas épocas, encontraram como manifestação de princípios comuns ou defesa contra os seus opressores.
Não vou criticar nem fazer juízos de valor sobre os princípios filosóficos, ideológicos, ou outros de organizações como a “Maçonaria” ou a “Opus Dei”. Vou, sim, partilhar a minha preocupação para aquilo em que elas se poderão transformar. É preocupante a denúncia da promiscuidade existente numa loja maçónica. Faz-nos pensar que poderá ser a ponta dum véu muito obscuro e temer que existam tentáculos, não só noutras lojas, mas, igualmente, noutras organizações similares. É caso para se pensar e perguntar: para quando “Rotários”, “Lions” e outras associações semelhantes?
Insatisfeitos com a destruição dos princípios, valores e condição económica das pessoas que vivem do seu trabalho, os obreiros da política vigente começam a lançar uma nova ideia, baseada no princípio de que os momentos de crise são, também, momentos propícios a grandes oportunidades. A grande oportunidade é, então, fazer a limpeza das pequenas e médias empresas que tenham dificuldades financeiras. É o momento de separar o trigo do joio, ou seja, é o momento de mandar mais uns milhares para o desemprego e varrer de cena aquelas empresas que, com os seus impostos e empregabilidade sustentam o país, mas dificultam a intenção do domínio absoluto.
Abundam as ideias peregrinas que conduzem à recessão económica e ao empobrecimento generalizado.
Medidas para a dignificação das pessoas e a recuperação económica temos uma mão cheia de nada.

 

(Publicado no jornal INCENTIVO)



publicado por livrecomoovento às 18:50
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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
Até que a morte os separe

Publicado por Adriano Campos


A revista Sábado usou, e bem, o trabalho de investigação desta humilde casa para questionar o nosso já conhecido Secretário de Estado. Carlos Moedas adoptou fala firme e esclareceu: “podia ter ficado com a empresa [crimson] mas não quis por uma questão de honra pessoal”. (…) Mas na verdade Moedas não podia, por lei, ficar com a empresa testa-de-ferro do grupo Carlyle, por isso mudou o contrato para a outra mesinha de cabeceira do quarto, para que a sua mulher possa, como o próprio diz, “fazer serviços de consultadoria”. A honra está a salvo.
Mas Moedas disse mais e lamentou não ter ainda encontrado comprador para as suas acções da WIN World (empresa que tem como clientes a REN, ANA ou a Liberty Seguros) o que o faz sócio directo do membro do Conselho de Administração daTranquilidade Seguros (BES) seguros LOGO (BES) e Espírito Santo Saúde, Miguel Maria Pitté Reis da Silveira Moreno. Uma ligação normal, não fosse o facto de Carlos Moedas ser o responsável pelo processo de privatização dos seguros da CGD, que irá alterar todo o panorama do sector segurador português.
Mas claro, tal facto não merece reparo por parte deste governo(...)



publicado por livrecomoovento às 01:40
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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012
E a Hungria aqui tão perto?

João Ricardo Vasconcelos

opiniao | 5 Janeiro, 2012

 

Em plena União Europeia estamos subitamente a assistir ao surgimento de uma democracia musculada.

Apesar de sabermos que a democracia está longe de representar o fim da história, como preconizava Fukuyama, a verdade é que vamos acreditando (uns mais, outros menos), que as democracias não colapsam de um dia para o outro. Somos levados a acreditar que as sociedades ocidentais, com os seus sistemas de freios e contrapesos (p.ex. independência da justiça, imprensa livre, cultura democrática de alternância no poder), possuem mecanismos que garantem uma boa longevidade aos regimes democráticos.

No entanto, o que se está a passar na Hungria faz-nos colocar imediatamente os pés no chão. Com uma maioria de dois terços no Parlamento, o primeiro-ministro Viktor Orban está a avançar com uma quase refundação do sistema político. Como tem vindo a ser noticiado, uma nova Constituição foi aprovada e entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2012. No documento constam diversos artigos que limitam o poder judicial, ameaçam a liberdade de imprensa e preveem a governamentalização de instituições independentes. A independência do Banco Central também não escapou à onda refundadora em curso, o que está a originar sérias críticas da Comissão Europeia, do FMI e até dos Estados Unidos.

Lado a lado com as alterações constitucionais, diversos outros sinais demonstram bem a dimensão do fenómeno. Assiste-se a uma preocupante governamentalização das instituições militares, de justiça e mesmo da comunicação social. Diversos despedimentos na rádio e televisão pública e encerramentos pouco claros de órgãos de comunicação social independentes fazem temer o pior. A palavra “República” foi retirada da Constituição, fala-se no documento em “unidade intelectual e espiritual da nação” e uma série de conceções conservadoras ficaram consagradas na nova lei fundamental (p.ex. casamento entre um homem e uma mulher, proteção da vida do feto a partir do momento da conceção, prisão perpétua).

Largas dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se em Budapeste na passada segunda-feira contra o processo em curso. E até já foram dados alguns sinais de eventual recuo. Mas está longe de ser certo que o partido no poder tenha perdido o fôlego ou sequer o apoio da maioria da opinião pública. O cenário encontra-se bastante incerto. Mas qual a origem desta fúria de refundação em curso?
Importa não esquecer que, depois de ter rebentado a crise financeira internacional, a Hungria foi o primeiro dos países europeus a sofrer uma intervenção do FMI, Comissão Europeia e Banco Mundial. O programa avançou em 2008 e a economia húngara teve então uma contração do PIB de 6,7%, tendo recuperado 1,2% no ano que se seguiu. As legislativas de Abril de 2010 abriram portas ao atual governo de direita nacionalista, apostado como se sabe em fazer da crise uma oportunidade para reformar o sistema político. Os resultados estão à vista.

Com esta síntese do percurso húngaro não quero naturalmente profetizar o futuro de Portugal. Mas o que se passa na Hungria deve pelo menos relembrar-nos bem que as crises e as receitas de austeridade adotadas andam a enfraquecer de facto as democracias. Ao ponto de, em plena União Europeia, estarmos subitamente a assistir ao surgimento de uma democracia musculada. E da mesma maneira que não podemos profetizar este destino para Portugal ou qualquer outro país europeu debaixo de fogo, é de uma ingenuidade profunda acharmos que estas coisas só acontecem aos outros.



publicado por livrecomoovento às 15:31
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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012
ANO NOVO LUTAS VELHAS

O ano passado desejei que os leitores desta coluna, e não só, tivessem um ano de 2011 mais justo e vi gorados os meus desejos. Gostaria de desejar, agora, um ano de prosperidade, mas não acredito que 2012 o possa ser.

Desejo-vos um ano com saúde, e tenho essa esperança. Desejo-vos, também, muita coragem para enfrentar as dificuldades que se adensam e avizinham.

Permitam-me, então, almejar 2012 como um ano de mudança, com muita coragem e vontade de lutar por um Mundo melhor.

Faço votos para que se abandone a teoria da inevitabilidade. Inevitável mesmo, só a morte, e pelo único motivo de fazer parte do belo que é a vida. Todo o caminho tem alternativas. Queiramos tomá-las como possíveis e lutar por elas ao invés de aceitar, de ânimo leve ou convenientemente, o enganoso inevitável. No mínimo, ponderemos a dúvida; não aceitemos dogmas nem “verdades” impingidas, até porque, afinal, a Terra não é plana, o Sol não gira à volta da Terra e o Homem já foi à Lua.

Faço votos para que nos lembremos que a repetição sistemática duma mentira pode guindá-la ao estatuto de verdade e, por favor, deixemo-nos de acreditar na génese do discurso pré concebido que comentadores, pagos para o efeito, vão reformulando e repetindo, por diferentes palavras, mas sempre com o mesmo fundamento e o mesmo objetivo.

Faço votos para que não nos esqueçamos que os mesmos que afirmavam verdades são os que, hoje, as apresentam como mentiras e as mentiras como verdades; são os mesmo que dão o dito por não dito, transformam o falso em verdadeiro, o impensável em inevitável e nos querem fazer crer na mentira da fatalidade.

Espero que 2012 nos traga a força para gritar BASTA e de dizer como escreveu o poeta: “… não vou por aí”; nos traga a vontade de acreditar que somos nós que podemos mudar o Mundo; nos traga a consciencialização que pedir a quem nos explora que páre é o mesmo que pedir à gasolina que apague o fogo.

Um abraço do tamanho deste Mundo por que luto e, ainda, espero ver mais solidário, onde a justiça seja uma realidade!



publicado por livrecomoovento às 21:34
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