Quarta-feira, 26 de Setembro de 2012
EM TEMPO DE FALSAS PROMESSAS

O QUE NOS PROMETEM E O QUE REALMENTE QUEREMOS

 

Este é o momento em que os partidos da alternância tradicional [PSD e PS] prometem o que, de antemão, sabem que não vão cumprir.

Quem está, e tem receio de não continuar, põe em evidência o pouco que fez, sem referir o que não cumpriu, e as maravilhas que pretende fazer se for reeleito.

Quem não está, mas quer voltar, insiste em referir o que não foi feito e alarga-se em promessas que, depois, também não são para cumprir, mesmo que ganhe as eleições.

É a repetição viciada do mesmo filme em que apenas varia o ator principal viajando para todos os sítios e distribuindo sonhos, promessas, beijos, abraços, t-shirts, esferográficas e bonés, num exagerado esbanjamento de dinheiros públicos e promessas sem qualquer conteúdo programático.

De opções políticas, aquilo que, na sua essência, determina as soluções de cada partido, não se fala porque isso faz pensar e pode despertar outros níveis de decisão.

As pessoas estão fartas de ser enganadas e querem falar de soluções, porque só as soluções podem motivá-las. Ouvir, repetidamente, que não há alternativa não é uma solução, antes pelo contrário.

Falemos então de coisas bem melhores:

1. CRIAÇÃO DE EMPREGO é a principal solução para desenvolver a economia e melhorar a situação financeira das pessoas. E não podemos estar apenas pendentes da iniciativa privada porque essa só pensa no lucro fácil e a curto prazo. Temos de apostar na rápida reabilitação urbana. Na nossa cidade existem tantos edifícios, públicos e privados, em avançado estado de degradação ou mesmo em ruínas, que constituem um enorme perigo para a segurança dos cidadãos e para a saúde pública. A sua reabilitação permitirá a criação de postos de trabalho, de imediato, no sector da construção civil que, presentemente, atravessa um elevado índice de desemprego.

Simultaneamente criam-se condições de oferta de habitação, espaços comerciais e instalações de apoio à Cultura.

2. A autarquia tem que ser apoiada na concretização do nosso saneamento básico.  Com o aumento de restrições financeiras será impossível o Município assumir sozinho este empreendimento que tarda em demasia e coloca a nossa cidade em desvantagem por via desta carência de salubridade básica. É um investimento inadiável. É mesmo inconcebível falar-se do reordenamento da frente mar sem ter em conta o saneamento básico da cidade, o que só vem demonstrar as promessas avulsas e enganadoras do PS e do PSD.

Medidas avulsas, ao sabor do momento, não resultam. A 2ª fase da variante deve avançar rapidamente. É preciso criar condições logísticas que permitam o saneamento básico e o reordenamento da frente mar. Só criando alternativas que desviem o trânsito de viaturas pesadas da Avenida 25 de Abril e outro trânsito do centro da cidade teremos condições de levar a bom porto o saneamento básico da cidade e o tão prometido reordenamento da frente mar.

Mas, agora é só prometer obras e mais obras, sem olhar à sua forma de financiamento nem à satisfação dos compromissos já assumidos. Uns prometem o que antes criticavam; outros criticam o que antes prometeram. Uns remetem os recursos para o novo Quadro Comunitário, mesmo sem saber com que verbas podem contar; outros dizem que fizeram o mais que puderam, mas não havia mais dinheiro. Agora sim, agora vai haver dinheiro para tudo, mesmo quando se sabe que cada vez é mais escasso.

3. A dinamização económica é que gera emprego e riqueza, e faz-se implementando medidas concretas, não apenas com o enunciar generalizado de boas intenções ou um rol de promessas que, à partida, todos sabemos não serem para cumprir, mas apenas para iludir.

É essencial, isso sim, apoiar o fomento à criação de iniciativas que diversifiquem a oferta de produtos e serviços, como, por exemplo a empresa faialense que fornece peixes a oceanários de todo o mundo. Está a fazer negócio e a divulgar a nossa ilha.

É urgente a dinamização de mais atividades que complementem o turismo, a agricultura e o mar e o apoio à criação de unidades industriais sustentáveis, à dimensão das nossas capacidades, e integradas na nossa biodiversidade, que aproveitem os nossos recursos naturais e a produção agrícola.

4. Não se pode permitir mais deslocalizações como aconteceu com a COFACO, para depois, mesmo à nossa frente, empresas do outro lado do planeta aproveitarem o negócio resultante da captura do atum nos nossos mares, enquanto quem trabalhava na fábrica está no desemprego ou tem que atravessar o canal para poder continuar a trabalhar, sabe-se lá até quando?!

Gostaria de falar do DOP, da investigação científica, da diversificação agrícola, da sustentabilidade das pescas e do turismo, mas fica para a próxima reflexão porque esta já vai longa.

As soluções são como o “Ovo de Colombo”, estão à nossa vista; uns não as descobrem porque não estão despertos para elas, outros impedem a todo o custo que alguém as possa ver.

As soluções estão no ensino, na Cultura, na formação profissional e na dignificação do trabalho por via do aumento do emprego. A falta de dinheiro é uma consequência do atrofiamento económico e da austeridade, nunca devido à sua dinamização. 



publicado por livrecomoovento às 02:56
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2012
DUAS FORMAS DE COMBATER A POBREZA E A EXCLUSÃO SOCIAL; APENAS UMA SOLUÇÃO

“… a austeridade é uma expressão que nós ouvimos da boca dos políticos como se realmente todos fossem pagar equitativamente, e isso não é verdade. Todo o tipo de medidas que temos tido e vamos ter são medidas que não alteram o padrão da desigualdade e portanto, para mim, infelizmente, o tipo de sociedade, nas suas características principais da repartição do rendimento, que vamos ter depois da crise, vai ser muito igual à que tínhamos tido”.

Dr. Alfredo Bruto da Costa

Presidente da Comissão Nacional de Justiça e Paz


Contrariamente à ideia que os partidos do poder tentam, e têm conseguido fazer passar, tudo, nesta vida, tem alternativa. Da mesma forma se pode encarar o combate à pobreza, dependendo do objetivo a atingir.

Pode-se optar pela alternativa de combater a origem da pobreza, criando condições dignas de trabalho para que as pessoas, por si, se libertem da injustiça social a que estão sujeitas e assegurem as condições económicas e financeiras, não só à sua sobrevivência, mas, também, à sua independência, ao seu acesso ao conhecimento, à formação profissional e à Cultura. É um caminho mais longo que obriga à mudança de atitude de quem terá que lutar para atingir estes objetivos, e é um caminho que contará sempre com a oposição de quem terá que abdicar de privilégios e mordomias indecentes a favor duma mais ampla justiça social.

A segunda alternativa, mais fácil, é a que combate as próprias vítimas da pobreza, enfraquecendo ainda mais a sua capacidade de sobrevivência, relegando as menos protegidas para a exclusão social, diminuindo os apoios à saúde aos reformados e pensionistas para que seja mais curta a sua esperança de vida, e obrigando a população ativa e com mais competências profissionais a emigrar.

É o caminho mais curto, o preferido dos partidos que nos governam e representam a mais sanguinária especulação financeira da nossa história. Conduz ao abandono das atividades produtivas primárias, à desertificação do interior, à diminuição demográfica, à recessão económica, à morte anunciada do país. A quem defende o segundo caminho, não interessam as pessoas, mas, tão-somente, o dinheiro, sinónimo de poder. Dinheiro a curto prazo, sem olhar a meios para atingir fins. Dinheiro à custa da vida e da dignidade das pessoas, dinheiro à custa do empobrecimento generalizado e da maior dependência económica do país.

Mas isto não preocupa os grupos dominantes, nem fere a consciência de quem os representa e tanto mentiu para ter um governo, uma maioria e um presidente. Eis-nos perante essa realidade e o seu resultado prático.

Na passada sexta-feira, Pedro Passos Coelho anunciou ao país novas medidas de austeridade. Pobres e ricos são taxados exatamente da mesma forma, continuando a agudizar quer a violência das medidas, quer as diferenças sociais que delas resultam. E se está claro que esta não é a política de que todas e todos os portugueses precisam e anseiam, para o nosso primeiro-ministro “esta história não acaba assim”.

Uma pergunta: algum dia este governo anunciará medidas que visem acabar com os privilégios e mordomias indecentes a favor duma mais ampla justiça social?

Como diz o Dr. Alfredo Costa: “Os ricos estão a rir-se do que está a acontecer no país”.



publicado por livrecomoovento às 14:24
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Domingo, 9 de Setembro de 2012
Três Mitos do Liberalismo Tuga

 



Mais um bom artigo, para reflexão, do jornalista João Ricardo Vasconcelos


A existência de ideologias é um requisito central para que a atividade política não se resuma aos puros jogos de poder. A ideologia é a responsável por garantir que a política seja mais do que uma simples batalha clubística. Neste sentido, foi naturalmente com bons olhos que foi encarada a ascensão ao poder no PSD de uma linha política assumidamente liberal. Concordando-se ou não com a mesma, a sua afirmação num partido com históricos problemas de definição ideológica gerou boas expetativas quanto à clareza na sua atuação. No entanto, a gestão e prática política atabalhoada por parte do atual Governo levou a que se tivessem insistido em alguns mitos cuja realidade tem-se encarregado de desmascarar de forma dramática, manchando assim de forma quase desnecessária a referida ideologia liberal. Vejamos alguns exemplos.


Um dos maiores mitos veiculados pela campanha eleitoral de Passos Coelho foi o de que era possível acabar com o défice cortando apenas nas “gorduras do Estado”. É certo que na altura não se procurou esmiuçar bem a que correspondiam de facto as referidas gorduras. Infelizmente foram muitos os que subentenderam que tudo se resolveria cortando nalgumas mordomias, nuns quantos gastos injustificáveis e nalguns investimentos ruinosos em curso. Passada pouco tempo, a crua realidade veio demonstrar que as famigeradas gorduras correspondiam a cortes nos salários, ao recuo da educação, saúde e segurança social, devidamente condimentados com subida de diversos impostos. Eis o liberalismo tuga em todo o seu esplendor.


Como segundo mito importa destacar a tão badalada ideia de que o orçamento de um país tem de ser gerido como um orçamento familiar. Ou seja, não se pode gastar mais do que se ganha. Quando tal acontece, há que cortar nas despesas supérfluas. Para se perceber bem a demagogia desta assunção basta observar a derrapagem do défice em curso. Uma economia nacional em nada se compara com uma economia familiar nomeadamente porque, enquanto uma família até pode procurar reduzir o seu consumo abruptamente, poupando assim na despesa, tal comportamento por parte de um Estado acarreta uma quebra na receita fiscal. Uma família não vê reduzido o seu rendimento por abrandar no seu consumo. Numa economia nacional, é precisamente isso que acontece. 


Como terceiro mito do liberalismo tuga destacaria a ideia do “bom aluno”. Segundo os nossos liberais, tal atitude permitirá que os mercados voltem a confiar em Portugal e que possamos a eles regressar com a maior brevidade possível. Assumir o referido pressuposto implica acreditar que os ditos mercados possuem algum tipo de racionalidade ou atuação moral. A verdade é que Portugal tem fugido um pouco à fúria dos mercados sobretudo porque os holofotes têm estado sobretudo centrados nos últimos tempos no caso grego e no perigo espanhol e italiano. Qualquer mudança mínima nas peças do atual xadrez atingirá sem piedade este bom aluno.


Qualquer ideologia tem os seus mitos. Não é isso que as distingue entre si ou sequer os seus protagonistas, mas sim a forma como tais mitos são assumidos. Perante o fracasso em toda a linha das políticas desenvolvidas, quais têm sido os alibis assumidos pelos nossos liberais? Ou um qualquer imponderável não permitiu que estejam a ser alcançados os resultados esperados, ou a receita não tem sido aplicada com intensidade suficiente. Numa analogia com o que se passou no bloco comunista a propósito do socialismo real, Pedro Adão e Silva sugeriu há pouco tempo que nos encontramos agora perante uma espécie liberalismo científico. Ou seja, o problema nunca é da receita prescrita, mas sim do paciente que teima em não recuperar. O problema não é das políticas aplicadas, mas sim do mundo que teima em não aceitá-las.



publicado por livrecomoovento às 14:27
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