Quarta-feira, 19 de Junho de 2013
A INSTITUIÇÃO, A CRIATURA E O 10 DE JUNHO

 

“O fraco rei faz fraca a forte gente”

Luís de Camões

 

“Não admira que Portugal esteja quase de rastos, como escreveu Camões ‘um fraco rei faz fraca a forte gente’, foram os fracos ‘reis’ que tivemos que encheram o Estado de incompetentes e corruptos, que transformaram os grandes partidos em organizações duvidosas, que mataram os empresários ambiciosos, que têm delapidado e continuarão a delapidar os escassos recursos de que o país dispõe, que transformaram a nossa justiça na vergonha que é, que montaram um imenso esquema que leva a que quem queira mudar este estado de coisas seja destruído.” (O Jumento)

 

Numa sociedade culturalmente avançada espera-se que as pessoas não necessitem de lideranças carismáticas para decidirem o que querem do seu futuro. A lógica seria pensarem pela sua cabeça e não se deixarem influenciar pelos populismos, pela via fácil, pelo egoísmo.

Numa sociedade democrática, valores como a solidariedade, o altruísmo, o respeito pelos direitos e a dignidade de cada um, a valorização do trabalho, entre outros, são condições básicas para o sucesso do regime. São princípios basilares que definem a política educativa, a saúde e as relações de produção.

Infelizmente, talvez por vivermos quase sempre à beira da bancarrota e haja alguém que nos pretende manter em permanente terror para mais facilmente atingir os seus propósitos, não conseguimos, de mote próprio, idealizar a forma de ultrapassar os problemas que nos impedem de evoluir. É nesta situação, em que somos impedidos de pensar livremente e com elementos válidos, que surge a necessidade de liderança, para colmatar as carências de organização e livre capacidade de decisão das pessoas, influenciadas como estão pelo medo e a insegurança.

Temos um Presidente da República que diz “lá fora” o que deveria dizer ao povo que o elegeu, incutindo-lhes esperança e coragem, em vez de ameaçar e aterrorizar as pessoas, ou fazer discursos de circunstância, vazios de conteúdo político. Temos dirigentes políticos que entre as mordomias autárquicas e a liderança do partido optam pelo comodismo pessoal, e temos ex-líderes partidários que preferem – como alguém disse - o “papel de bruxos de Carnaxide”.

O país sofre de uma grave crise de liderança a todos os níveis, o mérito deu lugar ao compadrio, a ética é um valor em vias de em extinção. Num país onde os incompetentes se revelam os mais aptos para vencer, não admira que seja um país cada vez mais fraco.

Falam-nos na competitividade e na exportação, mas os empresários que mais se destacam nessa campanha são os que enriqueceram em jogadas oportunistas e especulativas que exploraram o crédito fácil e o consumo que provocou o endividamento das famílias.

A competitividade não existe em Portugal, foi substituída pelo oportunismo de uma elite criminosa que enriqueceu à custa do empobrecimento dos portugueses. É mais fácil enriquecer com corrupção, com golpes baixos, com favores políticos. É este o exemplo de liderança que nos transmitem enquanto nos pedem para ser submissos.

O discurso de Cavaco Silva nas comemorações do “10 de junho” ficou muito aquém das “Conversas entre a Tia Brízida e o Seringador”. 

 

Publicado no jornal "INCENTIVO"



publicado por livrecomoovento às 01:14
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Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
ASSIM NÃO DR. VASCO (2)

A quem vai entregar a chave do Faial?

Ganhámos a modernização da fábrica da indústria de laticínios, com base em estudos errados, sobredimensionada à oferta da matéria-prima, na eventual esperança que, em vez de água, chovesse leite. Agora, a sua sobrevivência pode estar em perigo face aos elevados custos fixos com energia, programados para laborar o dobro da produção.

Ganhámos uma estrutura portuária, com uma belíssima gare marítima, mas com a operacionalidade marítima que os mais aconselhados tinham previsto - embora obrigados a calar - e a funcionalidade que obriga os navios de cruzeiro a rumarem a outras paragens.

Perdemos a indústria de conserva de atum, mas como a COFACO é uma empresa privada - milionariamente subsidiada pelo erário público para modernizar as suas estruturas - o governo nada quis fazer para suster a sangria de postos de trabalho.

Perdemos a Rádio Naval com o próprio apadrinhamento do Governo Regional que, teimosamente e sem qualquer fundamento técnico, patrocinou a sua deslocalização para São Miguel. Deste erro logístico - para além de económico - e da dificuldade de propagação ouviremos falar brevemente.

Perdemos outra Secretaria Regional em função da nova estrutura governamental.

Esperamos ansiosamente o cumprimento da promessa de ampliação da pista do aeroporto da Horta para termos condições de operacionalidade dignas dum destino turístico.

Esperamos pela segunda fase da variante de forma a criar as condições propícias à recuperação do edificado urbano em degradação, à remodelação da frente-mar e ao saneamento básico, premissas que possam trazer a nossa cidade para o século XXI.

Esperamos pela reativação das Termas do Varadouro, enquanto nos embalam com promessas de parcerias e projetos megalómanos, insustentáveis logo à partida.

Esperamos por uma promessa, “com barbas”, do Dr. Vasco Cordeiro – então, responsável pela Secretaria Regional da Economia e recentemente revalidada enquanto Presidente do Governo – de elaboração dum plano integrado de transportes que potencie a economia, principalmente das ilhas do Triângulo.

Esperamos e desesperamos e, até, nem falamos muito do Estádio Mário Lino nem do campo de golfe, talvez na esperança que alguma das anteriores se possa, prioritariamente, concretizar.

Feitas as contas, ganhámos presentes envenenados, perdemos capacidade económica e desesperamos por esperar tanto.

Não satisfeito, com tantos malefícios, pretende, agora, roubar-nos condições de saúde depois de, concluídas as obras do Bloco “C” do Hospital da Horta, ter criado as infraestruturas destinadas ao seu melhoramento.

É caso para se dizer: “Está tudo doido?!”

Não, Dr. Vasco, o senhor não nos vai tirar as valências que tão bem funcionam no nosso Hospital, que tanta falta faz a quem delas necessita e que, comprovadamente, a sua deslocalização é, economicamente, desaconselhável, aproveitando apenas a quem ganhar o futuro concurso para transportar doentes entre as ilhas. Ou a intenção é mesmo essa, a par da justificação de mais um elefante branco?

Relembro-lhe, parafraseando parte dos últimos dois parágrafos que escrevi sobre o que esperava de si e do seu governo:

‘O ditado popular diz que “a memória do Povo é curta”, e disso se valem os políticos menos honestos. Mas, Sr. Presidente, não o tendo nessa conta, não esperava tanta maldade da sua parte…

Assim não Dr. Vasco. O Senhor está a seguir de forma mais suave, é certo, mas igualmente peregrina, as pisadas do PSD e do CDS…’

É tempo de mudar de caminho.

Publicado no jornal INCENTIVO



publicado por livrecomoovento às 02:38
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