Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010
VIVA A REPÚBLICA

Contou-me um amigo que seu pai, pouco tempo antes de falecer, lhe disse: “Espero que nunca odeies a democracia tanto como eu odiei a ditadura”. Sábias palavras.

Temia, o pai do meu amigo, o que hoje também eu temo: o aproveitamento do legítimo poder democrático para aquisição ilegítima de privilégios, o exercício ignóbil de ódios e a relevação intolerante de preconceitos recalcados.

O abuso da legitimidade democrática como um meio para atingir fins e poderes próprios, ou de grupos, deturpa a realidade dos factos, cria antagonismos, desconfianças, e gera a incredibilidade nas instituições. Assim, para os menos atentos, facilmente passa a mensagem subtil e enganadora que pretende confundir a prática ilícita do representante arrogante e corrupto com a finalidade da própria instituição.

O crescente descontentamento nas Instituições resulta de atitudes prepotentes e da falta de confiança em quem as representa de forma arbitrária, a coberto da legitimidade democrática, que não se cansam de invocar, disparatados que são outros argumentos.

Não admira, pois, que se comecem a pedir “salvadores”, sejam eles Césares, Cavacos ou Salazares. Habituam-nos, constantemente, a ser os culpados da política que eles próprios implementam. Cada vez que se enganam(?), “sobra” sempre para os mais fracos. Já só nos falta (re)habituar à agressão física, mas até para isso se preparam, uma vez que a polícia vai ter carros de combate que, não creio, sejam para evitar assaltos nas estações do metropolitano, defendendo a integridade dos cidadãos, nem para evitar a escandalosa fuga ao fisco, defendendo a economia do País.

Não podemos, porém, confundir a legitimidade democrática das Instituições, nem a justeza do regime Republicano com a sua actual vil forma de representação. Para isso, não basta mudar de actores, uma vez que o ciclo está fechado e viciado neste estilo de jogo. Não podemos continuar numa de “todos ao ataque” e quando não resulta, “todos à defesa”. Assim não vamos a lado nenhum e o resultado é sempre o mesmo: os pobres cada vez mais pobres e em maior número, os ricos cada vez mais ricos e em menor número.

Numa noite, há já algum tempo, alguém disse: "Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos". Essa pessoa foi Salgueiro Maia. Chegámos a uma nova altura, a de escolher o Estado que queremos. Temos que ganhar coragem, participar e mudar de política para que possamos gritar de forma convicta e a plenos pulmões: “VIVA A REPÚBLICA!”



publicado por livrecomoovento às 01:59
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