Terça-feira, 2 de Novembro de 2010
ARROGÂNCIA, PRESUNÇÃO E CONVENCIMENTO

O Triunvirato que nos desgraça

À arrogância de José Sócrates, juntou-se a presunção de Passos Coelho. Foi então que surgiram os PEC. Mas como um caldeirão não se equilibra apenas em dois pés, faltava o convencido Cavaco Silva para apadrinhar a viabilização do Orçamento. Não que a sua magistratura de influência tivesse qualquer importância determinante, uma vez que o desfecho já estava decidido, mas porque interessava iniciar a campanha eleitoral da sua recandidatura.

É assim que se jogam os interesses pessoais, mantendo o País suspenso dum final pré anunciado, mas sempre tacitamente adiado. O argumento desta novela, baseado nos da TVI em que, quando tudo parece estar bem, surge sempre um imprevisto que impede os amantes de ficar juntos, contou também com um “padrinho” que, sensibilizado com o sentimento genuíno das promessas de amor eterno, resolve abençoar esta união.

Triste figura fez Cavaco Silva na sua comunicação. Os auto-elogios, o se “não fosse eu e a minha magistratura de influência”, como se fosse o Salvador da Pátria. Infelizmente, os portugueses continuam à espera do D. Sebastião que nunca virá, para gáudio de meia dúzia de famílias que, desde o século XVIII, se tornaram os donos de Portugal.

Que grande sentido de estadista! Nada de novo para quem ainda se lembre de que fez parar o País, suspenso das suas declarações sobre o Estatuto Político Administrativo da Região Autónoma dos Açores quando, afinal, “a montanha pariu um rato”.

Esperava-se, sim, que esse estadista, economista de renome, tivesse utilizado esse seu estatuto político bem como a de suposta autoridade económica e financeira para, no exterior, junto dos seus homólogos, transmitisse confiança em Portugal e na sua capacidade de recuperação económica. Mas, não. Não foi por aí. Ajoelhou-se perante as exigências da oligarquia financeira alemã e preferiu desferir golpes para dentro como se quem trabalha e contribui com os seus impostos para manter o financiamento do Estado tivesse culpa da actual situação.

A novela vai ter novos capítulos, agora, com a discussão do Orçamento de Estado na especialidade. Os comentadores políticos e económicos, a maior parte dos quais, responsáveis em governos que nos conduziram a esta situação, jogam o protagonismo de quem vai inventar a medida “milagrosa” que resolverá o diferendo dos 500 milhões de euros quando, à partida, se sabe que PS e PSD apontarão, ora para a saúde, ora para a educação para chegarem à conclusão que o melhor será cortar nos dois.

Não falarão nos 540 milhões em consultorias técnicas e jurídicas não justificadas. Não falarão nos 300 milhões gastos com fundações, institutos e empresas municipais supérfluas. Falarão, mas sem pôr em causa os 1.000 milhões dos submarinos. Não falarão na renegociação das contrapartidas pela aquisição de equipamentos militares, perante a não execução de 2.300 milhões. Irão ignorar a não tributação sobre as mais-valias urbanísticas onde se perderam, em 2010, cerca de 1.000 milhões. Fugirão a discutir o não pagamento, pela PT, do IRC sobre a mais-valia da venda da “VIVO” que ascenderia a mais de 1.000 milhões. Não falarão destas, entre muitas outras. Aqui, PS, PSD e Cavaco Silva estarão de acordo na omissão.

O PSD invocará o despesismo com as parcerias público privadas quando foi o próprio Cavaco Silva, enquanto 1º Ministro, que as introduziu em Portugal, Manuela Ferreira Leite generalizou e o PS de Sócrates abusou. Ou já se esqueceram do escândalo da LUSOPONTE e as promiscuidades de Ferreira do Amaral? As SCUT? Domingos Névoa e o caso BRAGAPARQUES? O Parque de Contentores e o tráfico de influências com Jorge Coelho e a MOTA-ENGIL? António Mexia e os seus ordenados e prémios escandalosos? O caso “Face Oculta” do sucateiro, Armando Vara e o Exército? Dias Loureiro e o buraco financeiro do BPN?

É nestes assuntos que os portugueses gostariam que se tocasse, esclarecesse e cortasse. Mas, não, aqui não porque estão a mexer com os amigos e as famílias que são donas deste País. Porém, é aqui que está o dinheiro que nos faz falta para equilibrar as finanças e relançar a economia.



publicado por livrecomoovento às 00:45
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