Domingo, 9 de Janeiro de 2011
ANO NOVO MAIS JUSTO

Na abertura deste novo ano, desejo que os leitores desta coluna, e não só, tenham um ano de 2011 mais justo.

A actual situação do país, motivada por uma política económica suicida, sucessivamente protelada por quem exerceu o poder político desde a intervenção do FMI em Portugal, em 1983 e agravada pela crise financeira internacional, chegou a uma encruzilhada.

Teoricamente o FMI tinha ido embora. Mas, na prática, manteve-se por cá impingindo a sua política fratricida na economia portuguesa. Destruiu a agricultura e desmantelou as pescas. A nossa indústria é recordada pela visão das ruínas das antigas fábricas, numa aparência fantasmagórica, acusadora da nossa inércia perante os acontecimentos.

Tudo se passou a reger pelo ditame financeiro, o que favoreceu a especulação, limitou o progresso educacional e reduziu a nada o investimento gerador de riqueza comum, apadrinhou a hegemonia das multinacionais sem rosto e destruiu o tecido empresarial empregador que emergia em Portugal.

O ciclo repete-se e, apesar da comprovada falência da política seguida, o sistema tenta refundar-se sobre as cinzas da sua nefasta consequência, resolvendo a situação com uma peneira colocada à frente dos nossos olhos.

Os problemas são sempre os mesmos, os teóricos preocupam-se com os desempregados em vez de promoverem a criação de emprego, a pobreza é apontada como um mal e não como uma consequência. Lamenta-se, mas não se apresentam soluções porque não as há dentro do actual sistema de especulação financeira.

Resta-nos a esperança de que, após profundas convulsões, nem tudo continuará igual. É certo que o domínio da economia e o poder financeiro voltaram às mãos das mesmas famílias que mandavam antes do 25 de Abril, mas houve conquistas: as relações sociais, o respeito pelas minorias, pelo direito à diferença, a liberdade de expressão, entre outras, já não permanecem iguais.

Permitamo-nos, de forma mais acentuada e pertinente, pôr em causa a solução que, invariavelmente, nos tentam e têm conseguido impingir. Está nas nossas mãos provocar estas mudanças. Queiramos deixar-nos deste individualismo doentio, deste estado de letargia egoísta, desta inércia historicamente criminosa e, sobretudo, do fatalismo preguiçoso.

Assumamos as nossas responsabilidades individuais e colectivas para com o futuro e o progresso da humanidade. Teremos então, e certamente, apesar das dificuldades, um ano de 2011 mais de acordo com o sentido de justiça que, acredito, se mantém recalcado em muitas consciências.

Faço votos para que neste novo ciclo, marcado por esta crise, algo de mais profundo se altere, de forma eficaz, sobretudo na economia e na justiça social.



publicado por livrecomoovento às 18:48
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