Sexta-feira, 8 de Abril de 2011
VAMOS PÔR AS BARBAS DE MOLHO

Um ano de atrocidades sociais do FMI na Grécia

Cumpre-se agora um ano sobre a data em que o FMI começou a “ajudar” o governo grego do socialista Papandreu. Embora os portugueses conheçam os efeitos de muitas das medidas aplicadas na Grécia – por serem comuns aos PEC’s – eis alguns resultados de 12 meses de atrocidades sociais.
Grécia: Faixa FMI Go Home (FMI rua)
Grécia: Faixa FMI Go Home (FMI rua)

O FMI não ajuda ninguém – limita-se a disponibilizar dinheiro a governos em troca da aplicação de medidas que assegurem a liberalização selvagem da economia, o que significa asfixiar a vida da generalidade dos cidadãos e empurrar os mais desprotegidos para as zonas da nova escravatura.

Eis alguns resultados de 12 meses de atrocidades sociais cometidas pelo Fundo Monetário Internacional neste país.

Salários

Congelamento de todos os salários do sector público até 2014.

Eliminação dos subsídios de férias e de Natal para todos os trabalhadores da função pública que ganhem mais de 3000 euros por mês brutos.

No caso dos trabalhadores da função pública que ganhem menos de 3000 euros por mês brutos os subsídios são limitados a 250 euros na Páscoa, 250 euros no Verão e 500 euros no Natal.

Redução dos subsídios no sector público entre 8 e 20 por cento e de 3 por cento nas empresas públicas.

No sector privado não houve aumentos salariais em 2010 e prevêem-se aumentos entre 1,5 e 1,7 por cento em 2011 e 2012 – contra uma inflação actual de 5,5 por cento.

Emprego/desemprego

Garantia de muito maior flexibilidade aos empresários para fazerem despedimentos: sem limites em empresas até 20 trabalhadores; seis despedimentos por mês em empresas entre 20 e 150 trabalhadores; cinco por cento dos efectivos ou 30 trabalhadores por mês em empresas com mais de 150 trabalhadores.

Redução das indemnizações por despedimentos.

Trabalhadores com menos de 21 anos podem ser contratados durante um ano por 80 por cento do salário mínimo com pagamento da segurança social também de 80 por cento.

Trabalhadores com idades entre os 15 e os 18 anos podem ser contratados por 70 por cento do salário mínimo.

Trabalhadores com menos de 25 anos que trabalhem pela primeira vez podem receber abaixo do salário mínimo.

Os trabalhadores considerados redundantes pelos empresários não podem contestar os despedimentos.

Aumento de três por cento das contribuições para a segurança social tanto de trabalhadores como de empregadores.

Pensões/Reformas

Congelamento de todas as pensões até 2013.

Eliminação dos subsídios de férias e Natal para os pensionistas com mais de 2500 euros por mês brutos.

Pensionistas abaixo dessa verba mensal bruta receberão 200 euros na Páscoa, 200 no Verão e 400 no Natal.

Eliminação dos subsídios de férias e de Natal a todos os pensionistas com menos de 60 anos, a não ser que tenham dependentes a cargo.

Aumento da idade de reforma nos sectores público e privado para 65 anos.

A idade de reforma passa a ser ajustada em função das estatísticas sobre a esperança média de vida a partir de 2020.

O cálculo das pensões vai ter em conta toda a carreira contributiva e não apenas os últimos anos, normalmente os de maiores rendimentos.

As pensões a pagar não podem ser superiores a 65 por cento do salário auferido durante o período activo. No regime anterior podiam chegar a 96 por cento.

A partir de 2015 não poderá haver reformas abaixo dos 60 anos, nem mesmo com penalizações.

A idade de reforma nas profissões de desgaste rápido sobre de 55 para 58 anos.

Os pensionistas com mais de 1400 euros mensais brutos são obrigados a descontar para um fundo de solidariedade social: três por cento até 1700; cinco por cento até 2300; sete por cento até 2900; nove por cento até 3500; 10 por cento acima de 3500 euros.

Aumento das idades de reforma para as mães trabalhadores. De 50 para 65 anos, de forma faseada até 2015, tanto nos sectores público como privado. No caso de mães com três filhos, de 50 para 60 anos até 2013

Retenção durante os primeiros três anos da transferência da pensão de viuvez.

Os ex-trabalhadores da função pública com menos de 55 anos que sejam detectados a trabalhar perdem a pensão; ou sofrem cortes de 70 por cento se tiverem mais de 55 anos.

Os fundos dos trabalhadores por conta de outrem, agricultores, empresários em nome individual e trabalhadores do sector público (equivalente à ADSE) serão integrados na segurança social até 2013.

Revisão completa das condições para militares e membros das forças de segurança, com aumento das idades de reforma e eliminação de bónus especiais

Redução do número de fundos para profissões liberais.

Impostos

Aumentos do IVA em 10 por cento por escalão, até 23 por cento

Imposto adicional de 10 por cento sobre tabaco, bebidas alcoólicas e combustíveis.



publicado por livrecomoovento às 01:59
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4 comentários:
De Carlos Faria a 8 de Abril de 2011 às 10:32
Vou ser uma vítima deste pedido não tenho dúvida, compreendo que o modelo económico de mercado livre está cheio de defeitos e existem muitas injustiças no sistema.
Todavia, mesmo que em Portugal as leis fossem justas, não é possível ao Estado distribuir tanto dinheiro se no País a colecta sobre o Produto Interno Bruto não cobre isso e sabe bem que nesta Lusitânia, mesmo vociferando contra bancos e grupos económicos, nem o PIB cobria o que se gastava por cá.
Também compreendo que cortar no dinheiro injectado retrai a economia que precisa de crescer, mas aumentar a despesa sem ter dinheiro dá colapso e bancarrota como estamos (também ajudada pela injustiça e esbanjamento inuútil e sujo).
Modelos equilibrados são precisos, o maior erro foi ter-se chegado a esta situação e o post nada mais é que chorar sobre leite derramado, mesmo sabendo que alguns não vão sofrer com esta crise e até há que tire dividendos.
Nunca os portugueses deveriam ter deixado alguém como Sócrates naquele lugar, temos ideias diferentes, mas tal não anula que o atual PM se portou de forma indigna e sem caracter.


De livrecomoovento a 20 de Abril de 2011 às 10:26

Caro C. Faria.
Vou transcrever um comentário dum leitor do Diário Económico. Pessoa que não conheço, mas de cujo pensamento comungo maioritariamente:
"Definir de uma vez por todas o primado da política sobre a economia... colocar os sociólogos a desempenhar um papel importante na definição das politicas, (ficou provado que os tecnocratas economistas contribuíram, para esta crise, tornando as sociedades mais injustas, colocando-se normalmente ao lado do grande capital especulativo). Ninguém bem-intencionado acredita que haja tantas dificuldades e fome, quando ao lado vemos uns quantos a viver à grande e à francesa! É inadmissível quando se vêem, cidadãos deste País, pagos com os impostos daqueles que ganham 6,000 7,000 etc, € anuais, contribuam para que outros recebam 600.000, 500.000, 400.000 etc € anuais, e são muitos! Que o País está com dificuldades já todos percebemos, então comece-se por aqui, reduzindo significativamente os salários exorbitantes. O preconceito da fuga de cérebros, muitas vezes evocada para não tomar decisões não faz sentido, não tivéssemos nós uma geração considerada a mais capaz de sempre. Se não for feita alguma coisa para que os portugueses não tenham de viver da caridade, temo que o meu País regresse às filas do pão, e que os meus concidadãos se tenham de tornar submissos! O meu País precisa de se tornar solidário, nem que para isso seja preciso tomar decisões contra quem se julga dono dos portugueses por força do poder económico."
Quanto ao Sócrates, é o corolário duma política económica iniciada por Cavaco Silva, com a introdução das parcerias público/privadas e a privatização dos monopólios naturais que permitiam regular a actividade económica. O problema não está nos actores, mas na política que implementam. E essa, é igual, apenas com algumas variações em ré menor. A maior diferença está no descaramento, mas está mais que provado que este povo idolatra os mentirosos e os aldrabões. É tudo a ver quem finta melhor o parceiro do lado.


De Carlos Faria a 20 de Abril de 2011 às 11:12
Claro que recuar ao cavaquismo tem um objetivo que o compreendo, em parte tem razão e noutra não a tem. Eu poderia recordar os erros, extremismos e vicios que ainda vêm do tempo do verão quente e das sequelas que isso teve na sociedade ou até ao salazarismo que deixou o campo sequioso pelo discurso de 1974/75. Os erros do passado não desculpam os do presente
A verdade é que o rico que nada em dinheiro é uma injustiça mas a repartição da riqueza não mataria a insuficiência que temos.
Por falar de sistemas mais justos até falei num post de hoje... mas suspeito que vai discordar, porque por norma existe a tendência de condenar as ideias também pela sua fonte e neste caso sei que não partilha de confiança nesta


De livrecomoovento a 21 de Abril de 2011 às 01:51
Eu não estou a recuar muito. Apenas ao início deste ciclo político que se iniciou com a introdução, em Portugal, das teorias neo-liberais do lucro infindável baseado apenas na especulação financeira. Se formos recuar, direi mais. Direi que no subconsciente da grande parte da nossa sociedade, ainda vingam as teorias de 600 anos de Inquisição.
Ouço falar em extremismos do período 74/75, sem que se pormenorize quais as suas consequências, hoje. Em acontecimentos daquele tipo, há sempre extremismos e exageros. Mas desses extremismos, o que ainda resta é um Serviço Nacional de Saúde, um Ensino pseudo ) para todos, o Contrato de Trabalho, a liberdade de expressão, e pouco mais. Mas como querem acabar com tudo isto, da mesma forma que acabaram com a agricultura, as pescas, a indústria e os transportes marítimos e ferroviários, esses extremismos também tendem a passar à história.
Uma mais justa repartição da riqueza, pode não resolver o problema a curto prazo, mas motiva a capacidade de envolvimento e a compreensão do esforço de trabalho pelo bem comum, em vez de, como agora, provocar o desinteresse e o laxismo generalizado que só piora a situação.
É verdade que (e a expressão não é minha - trata-se apenas duma brincadeira dum correlegionário seu, meu amigo pessoal) me ensinaram que de casota de cão, o mais provável é que saiam pulgas. Mas tem sobejos motivos para não pensar que me pauto por esse ditado. Já o tenho provado, por diversas vezes, em diversos sítios e em contextos diferentes, inclusivamente na própria ALRAA , pelo que..., não vá por aí, mas sim pelo valor das ideias.


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