Terça-feira, 10 de Maio de 2011
PASSIVIDADE DOENTIA

A leitura duma reportagem na revista VISÃO, da autoria de Paulo Pena, sobre a Islândia, fez-me pensar na diferença das atitudes que norteiam islandeses e portugueses, e as formas de reagir, tão divergentes, que um e outro povo têm ao encarar os seus problemas.

As comparações, relatadas por um português que vive na Islândia ("A população, aqui, é muito activa. Os portugueses toleram muito... Aqui, não há tanta tolerância como em Portugal."), e uma islandesa, Gudlaug Run Margeirsdóttir, que casou com um português ("Os islandeses são menos complacentes. No dia a dia, os portugueses são mais críticos. Os islandeses são mais reservados. Em Portugal, pode dizer-se que 'isto é uma porcaria' e continuar a gostar de viver assim. Parece que os portugueses têm medo de ser um pouco mais agressivos. Às vezes, pergunto-me por que os portugueses não agem mais em vez de falarem tanto...") são sintomáticas do porquê da situação política que se vive em Portugal.

Protestamos por tudo, mas não passamos das palavras. Contestamos a corrupção, o tráfico de influências, os favores para os “afilhados”, …, e a atitude mais comum é ouvir-se dizer: “não voto mais”, “votar para quê?”, “vou votar em branco”, “são todos iguais”, ou outras expressões que só demonstram a razão do conceito subjacente à ideia que Gudlaug Run Margeirsdóttir tem dos portugueses.

Por que motivo somos incapazes de dizer “basta!” a quem, deliberadamente, nos espezinha e constantemente engana e, no entanto, há quem seja capaz de perseguir e agredir quem cometeu um erro de arbitragem, sem se certificar da sua intencionalidade?

Será preferível barafustar com o malandro do vizinho que não quer trabalhar, ou com quem nos “amarra”, de forma a não permitir que, quem quer, possa exercer esse direito?

Não será também malandrice, ou cobardia, descarregar o ódio no mais fraco em vez de enfrentar o prepotente?

É comum ouvir os comentadores de serviço dizer que temos vivido acima das nossas possibilidades. Mas nunca os ouvi explicar como, quem e porquê. Não podemos comparar uma família que poderia ter evitado comprar uma televisão nova, acima das suas possibilidades, com quem esbanja a torto e a direito, só porque vive, financeiramente, acima das suas necessidades. A primeira é “falta de tino”, mas a segunda é um crime económico contra o País.

Todos gostaríamos de apresentar um remédio para fazer Portugal sair da crise, mas a maior parte de nós continua à espera dum milagre. Não há milagres em economia. Os milagres económicos são conseguidos por nós quando demonstramos vontade, capacidade e confiança nos objectivos que desejamos alcançar.

Este momento de crise pode ter a vantagem de nos obrigar a olhar com mais atenção para o têm sido as nossas falhas e a pensar em novas atitudes, capazes de a superar. O remédio está em nós e não em quem nos promete “ajuda” para mais nos “enterrar”.

Não acredito em fatalidades, mas também não acredito em mudança política sem mudança de atitude de quem vota. É assim em democracia.



publicado por livrecomoovento às 01:57
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