Terça-feira, 7 de Junho de 2011
PATRÕES OU EMPRESÁRIOS?

Na fórmula política adoptada por Portugal e pela Europa, é ao Estado que cabe definir a estratégia económica, incentivando o que mais interessa, regulamentar o funcionamento de determinadas actividades, promover a construção das infra-estruturas físicas e administrativas e conduzir directamente as empresas básicas (aquelas que, naturalmente, se constituem como monopólios).

A partir destes pressupostos, é ao sector empresarial, independentemente de ser público ou privado, que cabe a acção fundamental do processo de desenvolvimento e crescimento económico do País.

É a quem dirige as empresas que deve ser pedida responsabilidade pelos resultados dos incentivos que o Estado concede para que seja implementada a política económica definida pelo Povo que votou e elegeu os seus representantes, mediante os programas que os respectivos Partidos apresentaram a sufrágio.

Num País culturalmente avançado, de cidadãos de mente livre e esclarecida, seria este o normal funcionamento do poder representativo e do prestar de contas pela sua aplicação.

Mas, para que isto pudesse acontecer seria necessário que os respectivos gestores e empresários tivessem plena consciência da importância que lhes cabe, não só no processo de crescimento e desenvolvimento económico, mas também na responsabilidade pelo bem-estar e progresso social de todos os que contribuem para esse desenvolvimento.

É natural que, na sua actividade, o empresário tenha em mira a obtenção de lucro, o correspondente ao seu investimento, o justo prémio da sua capacidade de iniciativa e a remuneração do risco assumido. O que não pode é, aproveitando os incentivos e facilidades, proporcionadas pelo Estado com a finalidade de desenvolver a economia, apoderar-se de todo o lucro obtido, sem olhar ao fortalecimento e estabilidade da empresa, ao dever de contribuir com os seus impostos para quem o apoiou e criar melhores condições económicas, sociais e de trabalho a quem lhe forneceu a força que permitiu os lucros obtidos.

Será esta a atitude mental da maioria dos gestores públicos e empresários portugueses? Decididamente, NÃO. A experiência da nossa realidade empresarial aponta para uma confrangedora pobreza na maneira de proceder e pensar de muitos dos nossos empresários. Houve e há excepções, mas tanto neste, como em outros domínios, as excepções apenas chegam para confirmar a regra.

Tenho a sensação que alguns dos nossos empresários ainda pensam numa empresa com o espírito das antigas doações com que os reis brindavam os seus fiéis cortesãos. Um título nobiliárquico que dava o direito ao feliz contemplado de receber a respectiva renda sem mais nada ter que fazer.

Um empresário, digno de tal nome, sabe que numa empresa não pode existir a palavra estagnação. Uma empresa, ou cresce e se desenvolve, ou estiola e morre. É, pois, aos empresários portugueses que cabe, em primeiro lugar, a responsabilidade do desenvolvimento, ou da estagnação, da nossa economia. E de nada lhes serve atirar culpas para a legislação, para os governos e, muito menos, para os trabalhadores, porque são estes os mesmos que “lá fora” são considerados trabalhadores de primeira.

O problema está no facto dos nossos gestores públicos e empresários pensarem que o papel de senhor feudal foi substituído pelo de patrão.

O mal não está em quem obedece. O mal está em quem não sabe mandar.

Patrões dispensam-se porque foi a mentalidade que nos conduziu a este precipício. Empresários precisam-se para que a nossa economia de desenvolva e progrida.



publicado por livrecomoovento às 02:05
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