Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011
MAIS VALE TARDE QUE NUNCA


“Enquanto o Povo, que nos seus dias de folga corre em peregrinação festiva para os campos para n’elles admirar as maravilhas da natureza, não frequentar com egual  fervor as escolas, as academias e os muzeus onde se cultivam as bellas artes e onde se expõem os seus productos, a sua immortal  florescencia no mármore, no bronze, na tela, na architectura e na musica: é forçoso concluir ou que as multidões estão ainda muito atrazadas e incultas, ou que a arte está muito inferior á Natureza, quando lhe competia, segundo o preceito de Rafael, ser ella a sua correcção, o seu ideal supremo.”

(Harmonias Sociaes, Cap. 9º.  –  Manoel d’Arriaga)

 

Bastava a interiorização da plenitude deste parágrafo da autoria de Manuel de Arriaga para justificar uma Casa Memória que invoque o seu pensamento.

Com relativa pompa e alguma circunstância, mas tarde e a más horas, foi, finalmente, inaugurada a Casa Manuel Arriaga, fruto duma longa luta da sociedade faialense; um exemplo do exercício da cidadania activa que envolveu pessoas a título individual e político, em que me incluo, e associações como a dos Antigos Alunos, promotora duma Petição Pública que obrigou à discussão do assunto em sede da nossa Assembleia Legislativa. Destaco, ainda, e honra lhe seja feita, a imprensa local que manteve sempre viva esta árdua batalha.

Recordo este parágrafo duma reflexão que publiquei neste jornal: “O País e os Açores, no geral, mas, e, sobretudo, a sociedade faialense, em particular, não poderá perdoar e imputará a responsabilidade histórica ao Governo dos Açores e à Diocese, caso não se concretize a intenção de reabilitar a totalidade do Solar dos Arriagas, onde nasceu o 1º. Presidente da República, incluindo a casa e os terrenos anexos.”

O discurso do Presidente Carlos César, na cerimónia inaugural, sossegou-nos relativamente, quando afirmou que a propriedade será recuperada na sua totalidade.

Posso constatar, pela resposta do Governo a um requerimento do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda e pela observância dos documentos facultados que, para além de não constar a aberrante autorização de loteamento urbano, o edifício bem como o respectivo reduto se encontram registados em nome da Região Autónoma dos Açores e que na Memória Descritiva do Projecto de Arquitectura Paisagística vem explícito: “A área de intervenção corresponde ao adro/jardim nas proximidades da habitação principal, sendo prevista a ligação à zona da horta e pomar, antevendo a sua futura recuperação”; e termina: “Para poente situam-se os talhões a recuperar para culturas hortícolas e pomar, vindo a criar uma área de passeio que se propõe rematar com uma pequena estufa de plantas para o jardim”.

Esperamos que a intenção assumida pelo Presidente do Governo seja para cumprir a breve trecho, já que esta inauguração nos deixou o irreparável e amargo desgosto de não ter sido concretizada em data assinalável, como foi atempadamente pedido. Lembrar-se-á certamente que desde o seu compromisso, publicamente assumido a 16 de Setembro de 2005, e 19 de Novembro de 2011 se passaram seis anos, dois meses e três dias, tempo mais que suficiente para esta inauguração ter ocorrido a 5 de Outubro de 2010, centenário da implantação da República ou 24 de Agosto de 2011, centenário da eleição de Manuel de Arriaga como Presidente da República.

Cá estaremos Senhor Presidente, vigilantes e exigentes, para aplaudir ou criticar o desfecho da sua recente promessa. Não me dê o desgosto de iniciar um artigo com um título do género “Tarde e a Más Horas”.

 

Artigo publicado no jornal "Incentivo" | 21/11/2011



publicado por livrecomoovento às 02:13
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