Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011
UM PLANO RECESSIVO E UM ORÇAMENTO DE MISÉRIA

O Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, veio à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores lamentar os efeitos da crise e propor um Plano de Investimentos. Seria, de todo, expectável a apresentação dum plano de antecipação ao agudizar da crise: um plano de investimento para a dinamização da produção, um plano de apoio à criação de empregos.

Infelizmente, o que foi apresentado e aprovado, nada mais é do que algo que o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças apresentariam: recessão. Ou seja, a ideia de que teremos (alguns, sempre os mesmos) de ficar mais pobres, para sair da crise a qualquer custo (leia-se: à custa de quem trabalha).

Creio que é má solução combater uma recessão com mais recessão acompanhada de pensamento positivo, mas é a minha opinião.

Pedro Martins, secretário de Estado do Emprego, disse há uns dias atrás que "o salário mínimo, em termos relativos, não é realmente baixo em Portugal", quando comparado com os países da Zona Euro. Pois não, na verdade é baixíssimo, porque está no fundo da tabela nesse indicador. O pior não é termos representantes ignorantes, o problema é a mentira: um estudo encomendado pelo próprio Governo revela que o eventual aumento do salário mínimo para 500 euros, em 2012, como acordado em 2006, poderá resultar numa diminuição do emprego entre 0,01 e 0,34%.

Na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, durante esta semana, o Bloco de Esquerda fez um desafio sério ao Governo Regional do PS. Desafiou-o  a ter coragem política e aceitar manter pelo menos um dos subsídios cortados, o de Férias ou o de Natal. Diga-se que é exactamente a mesma proposta que o PS apresentou, na República, para o Orçamento de Estado.

O líder parlamentar do PS, Berto Messias, denunciou e comprovou que a economia regional foi defraudada em cerca de 20 milhões de euros com o roubo no Subsídio de Natal; o Vice-Presidente confirma já ter existido dotação para o efeito. A proposta foi recusada. Fica a pergunta, para onde foi o dinheiro?

A matemática é bastante simples: o não pagamento dos dois subsídios em 2012 pode implicar menos 80 milhões de euros em transacções no comércio regional, o que irá provocar a falência de várias empresas, o desemprego, a ruína de famílias e o empobrecimento generalizado.

 É assim que se recupera da crise e se dinamiza a economia? Não parecerá a ninguém, acredito. Contra a recessão e o desemprego, no Governo Regional ou no da República, não há pensamento positivo que vá salvar seja o que for.

Por outro lado, há quem proponha o corte em gastos supérfluos e caia no ridículo de basear a sua defesa numa factura de comunicações, mas vota contra uma proposta que pretendia limitar as indecentes derrapagens em obras públicas que consomem milhões de euros, os chamados “trabalhos a mais”.

Os mesmos que acompanham o roubo nos rendimentos do trabalho, em obediência cega à política que nos arruína, estão de braço dado, com o PS e o Governo, na defesa de derrapagens até 25% do valor das obras, quando, a nível nacional, só estão autorizados 5%. Aqui não se podem defraudar os interesses dos “amigos”. Tanto cá, como lá, o elo mais fraco é sempre quem vive apenas do rendimento do seu trabalho.

Publicado no jornal "Incentivo"- 5/Dezembro/2011



publicado por livrecomoovento às 01:42
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1 comentário:
De Carlos Faria a 5 de Dezembro de 2011 às 02:34
Embora eu concorde com a necessidade de conter despesas e mesmo algumas medidas impopulares, tenho de reconhecer que o PS critica no Continente medidas que nos Acores inclui no seu orcamento e a guerra com o PSD no arquipelago fou mais politiquice que politica. Nesta discussao parece-me que o BE foi mais coerente.


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