Domingo, 18 de Dezembro de 2011
TROIKA À MODA DOS AÇORES

“Uma mentira mil vezes repetida torna-se uma verdade autenticada”.

Fritz Goebbels, ministro das Comunicações de Adolph Hitler

 

O Nazismo foi o primeiro regime na história a criar um Ministério das Comunicações, pela importância que davam à doutrinação ideológica. O sentido da frase é que uma mentira repetida mil vezes começa a ser aceite como verdade, penetra no inconsciente das pessoas, como uma lavagem cerebral.

 

A cavaleira prussiana Merkel e o xenófobo francês Sarkozy apostam numa Europa tipo feudal, em que os senhores dominam o território e recebem os dízimos dos servos que trabalham para o seu império. Para isso reeditam métodos inquisitórios de quem não paga, morre, e criam figurantes do género Passos Coelho e Mario Monti que, encarnando o trabalho sujo do Xerife de Nottingham, vão cobrando impostos extraordinários para pagar os juros agiotas aos seus suseranos, os bancos alemães e franceses.

A filosofia reinante assenta no pressuposto de que a “malandragem” dos países do sul terá que ser obrigada a trabalho de escravo, sem dó nem piedade, para salvar os desvarios financeiros dos especuladores que comandam a política económica do eixo franco-alemão. Para isso deitaram mão do garrote financeiro e da propaganda pró fascizante do “trabalha malandro que eu não estou para te sustentar” quando, afinal de contas, esses ditos malandros têm os mais longos horários de trabalho e os ordenados mais baixos da Europa.

Esta mentira, mil vezes repetida, cria a divisão entre os próprios prejudicados. Cada um tenta demarcar-se do vizinho do lado como país menos devedor ou trabalhador menos malandro, embarcando na jangada da propaganda nazi e nos objetivos xenófobos. Quando se propaga que foram os respetivos povos que os elegeram, convém não esquecer que Hitler também chegou ao poder por eleição, através de propaganda mentirosa como a que foi utilizada pelo PSD e por Passos Coelho.

 

Nos Açores, também temos a nossa “troika”. Uma variante mais dissimulada que prefere a técnica dos pezinhos de lã. Porém, inspira-se no mesmo método de Fritz Goebbels, o tal ministro de Hitler: a propaganda. Tem, no entanto, duas variantes: a discussão política estéril para distrair e a desinformação constante para confundir.

Existe um eixo geográfico, promíscuo político e económico centralista, que tudo faz para a existência duma economia açoriana a duas velocidades. Se não, vejamos alguns exemplos do PS e respetivo Governo Regional:  

  1. Defendem, em palavras, que a necessidade do aumento da pista do aeroporto da Horta é inquestionável. Porém, trocam esse aumento pela ampliação da placa de estacionamento do aeroporto João Paulo II, enquanto afirmam estar sempre disponíveis para ajudar;
  2. Há uma estrada, não só, essencial à promoção turística, mas também, imprescindível para acesso aos baldios das respetivas freguesias, o que representa desenvolvimento económico para o Faial. A recuperação do seu piso nem constou do Plano do Governo para 2012. Entretanto despejam betão e alcatrão, ao desbarato, em SCUT e estradas alternativas a outras já existentes;
  3. Encolhem o projeto inicial do novo cais do lado norte da baía da Horta, impedindo a capacidade de acostagem de navios de maior calado, porque implicava maior despesa. Em contrapartida, forçam um cais de cruzeiros numa ilha onde já existe um porto oceânico com capacidade para tudo isso e muito mais;
  4. Aprovam plataformas logísticas, passando a ideia que não são para implementar, mas já está previsto o transporte quinzenal de mercadorias para o porto da Praia da Vitória enquanto estudam a sua distribuição para as outras ilhas do Grupo Central.

Quanto ao outro parceiro deste eixo geográfico:

  1. Vociferam contra as derrapagens em obras públicas que roubam milhões de euros à economia açoriana, mas defendem que as mesmas derrapagens estão bem até 25% do orçamentado. Quem é que querem favorecer?
  2. Fazem conferências de imprensa para acusar o Município de não ter avançado com o saneamento básico da cidade da Horta, mas mantiveram o silêncio quanto às consequências previstas no contrato que obrigava à privatização da distribuição da rede pública de água. E, só agora se lembraram que a parceria público privada não podia ser apoiada por fundos comunitários?
  3. Fazem uma pergunta, na República, sobre o aeroporto da Horta, sabendo de antemão a resposta, o que, apenas, provoca discussão partidária de mesa de café para saber se Vasco Cordeiro é melhor que Berta Cabral. Incentivos a ações concretas, sem protagonismo partidário, para unir os faialenses, onde estão?
  4. Deu-lhes, agora, para a transparência, como se não tivesse sido sobeja a opacidade da sua política governativa. Esqueceram que no domínio PSD, durante muitos anos, Plano e Orçamento eram inquestionáveis? Lembram-se que nem eram permitidas propostas de alteração? Estranha forma de transparência!

Perguntarão os leitores pelo terceiro elemento da nossa “troika”. Poderão pensar que se trata do CDS-PP. Desenganem-se porque já é parte intrínseca do processo. Esse joga, hipocritamente, nos dois campos em conformidade com o interesse de cada momento.

O terceiro elemento, tanto cá como lá, é o interesse económico e financeiro instalado, a chamada “mão invisível”, sem rosto nem ideologia política, mas de quem todos sentimos o peso e a influência. São os verdadeiros comandantes desta política que nos empobrece e desgraça. Mas, infelizmente, fazem valer a sua propaganda, penetrando no inconsciente das pessoas, como uma lavagem cerebral, repetindo mil vezes a mesma mentira até que seja tomada como verdade: “O desemprego é normal, não há nada a fazer senão calar e pagar, é ficando pobres que vamos sair da crise”.



publicado por livrecomoovento às 20:35
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