Segunda-feira, 4 de Junho de 2012
OGM – Um perigo eminente para a Humanidade

 De acordo com estudos científicos recentes e com conclusões apresentadas no último Congresso da FAO (Organização das Nações Unidas para e Agricultura e Alimentação), em 2007, a agricultura biológica, sendo bem aplicada, pode alimentar toda a população do Planeta. Por outro lado, não me restam dúvidas de que os OGM são uma forte ameaça ao desenvolvimento harmonioso da agricultura biológica, a agricultura mais sustentável e que mais respeita a vida em geral e a vida humana em particular.

O risco das plantas OGM pode ser ainda maior que o risco dos pesticidas, pois estes, terminado o seu uso, sofrem uma degradação mais ou menos prolongada (até 30 anos no caso do mais persistente – o DDT), e acabam por desaparecer. Já as variedades contaminadas com plantas OGM, vão reproduzir-se e multiplicar os genes contaminantes, sendo praticamente impossível travar contaminações levadas pelo vento ou por insetos.

As variedades transgénicas, com genes de micróbios, animais (ou até do homem como é o exemplo recente duma variedade americana de arroz com genes humanos) e com grande potencial de contaminação genética de outras variedades tradicionais ou melhoradas, com toxicidade aguda ou crónica sobre seres vivos e patenteadas por empresas poderosas que não olham a meios para atingir os fins, são uma ameaça à vida no Planeta tal como a conhecemos.

Os inconvenientes das culturas geneticamente modificadas e em particular do milho, para os Açores, são muito superiores a eventuais vantagens, pelo que é um erro de política agrícola de consequências incalculáveis, nomeadamente a interdição prática de criação de Zonas livres de OGM em regiões onde a cultura do milho é importante.

A legislação recentemente aprovada na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, sob proposta do Governo Regional, embora tenha como objetivo aparente enquadrar legalmente a nossa Região como Zona Livre de OGM, na prática pode inviabilizar essa criação, pois basta um só agricultor da região não concordar para que todos os outros e os órgãos autárquicos eleitos do concelho, já não a possam declarar como Zona Livre. Tudo isto porque a legislação aprovada abriu a brecha dos “campos experimentais”, cedendo à pressão dos interesses instalados, beneficiários da comercialização de cereais destinados à produção pecuária intensiva, sob a capa hipócrita de não se fechar a porta à investigação científica.

Com a introdução de variedades OGM, ao abrigo das medidas de segurança previstas na lei, a contaminação genética é inevitável. De acordo com o diretor da EuropaBio, a voz política da indústria de biotecnologia na Europa, a coexistência sem contaminação «é, francamente, inalcançável». A essa conclusão chegaram também, recentemente, os responsáveis franceses do Ambiente. A perda de variedades tradicionais de milho cultivadas nos Açores (principalmente variedades de milho branco) para produzir broa, o nosso pão de milho, será o delapidar dum património genético obtido e mantido ao longo dos séculos pelos agricultores.

A decisão do Governo Regional de “cavalgar” uma petição pública que pretendia declarar os Açores uma Zona Livre de OGM conseguiu, de forma habilidosa, defraudar este objetivo e ludibriar alguns incautos que não tiveram em conta a dimensão das consequências do logro em que caíram.

A qualquer momento se podem introduzir OGM, mas é irreversível a reconversão de terrenos geneticamente contaminados em explorações agrícolas biológicas, e este crime, ambiental e económico, terá que ser expiado por quem o cometeu, por mais fugas para a frente que tente encetar.

 

Publicado no jornal INCENTIVO (04/Junho/2012)



publicado por livrecomoovento às 09:10
link do post | comentar | favorito
|

1 comentário:
De José Freitas a 5 de Junho de 2012 às 15:55
A Censura anda muito activa nos comentários dos blogs. Espero que deixe passar este comentário.
Em www.anticolonial21.blogspot.com está a verdade inconveniente sobre a cópia de partes de «Cette nuit la liberté» por Miguel Sousa Tavares para o livro «Equador».


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
Janeiro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


posts recentes

ESCOLARIDADE OBRIGATÓRIA

PLANO E ORÇAMENTO PARA 20...

O FAIAL E OS TRANSPORTES ...

O Milagre Económico

Os pontos nos iis

NÃO DEIXES QUE DECIDAM PO...

O MEDO E A CACICAGEM

Um político que de irrevo...

SEMANA DO MAR - Programas...

O CISCO A ENCOBRIR A TRAV...

arquivos

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Junho 2006

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds