Terça-feira, 7 de Agosto de 2012
Reflexão sobre a economia e as pessoas

Convém recordar

Aqueles que tanto criticam D. Januário, que diriam sobre os princípios morais da justiça defendidos, no séc. XIII, por S. Tomás de Aquino?
Ora reparem:
a)- Princípio da justiça comutativa, segundo o qual o trabalhador tem direito ao preço justo, ao salário justo e à participação nos lucros.
b)- Princípio da justiça distributiva, para o qual os bens devem ser distribuídos segundo as necessidades das pessoas e não na medida do mercado. Diríamos hoje, em vez de resolvermos o problema da pobreza através do crédito, como pensa o neoliberalismo actual, devemos resolvê-lo através da correcção real das desigualdades, promovendo uma melhor distribuição de riqueza. Numa sociedade onde a riqueza é melhor distribuída, o dinheiro circula mais e a qualidade de vida é melhor.
Estes dois princípios pressupunham a máxima defendida pela escolástica: “Os bens são de uns, mas são para todos”.

Um texto lindo!...

Um texto necessário nos tempos que correm. Refiro-me à encíclica “Rerum Novarum” (15 de Maio de 1891) do Papa Leão XIII.
Nesse texto, o Papa traz algumas ideias oportunas: faz uma reflexão ética sobre os problemas da economia e da situação da “miséria imerecida” em que se encontravam os trabalhadores naquele tempo, tempo com muitas semelhanças ao que hoje vivemos.

Defende que é próprio da condição humana as naturais desigualdades que provêm das múltiplas diferenças que resultam do grau de inteligência, habilidade, talento, etc.

Adverte, entretanto, que tais desigualdades não podem conduzir à avidez que faz com que os homens estejam voltados de costas uns para os outros, gerando conflitos de interesses antagónicos. Substitui a ideia de conflito entre classes pela ideia de concórdia fundada no valor da dignidade humana e no respeito de deveres mútuos: o dever do trabalhador desempenhar as suas tarefas de harmonia com contratos livres; e o dever do patrão não tratar o trabalhador como se este fosse um mero instrumento de lucro, mas de harmonia com a dignidade humana e pagando-lhe um salário justo. 

Esclarece que o homem não existe para o Estado, mas o Estado para o homem, uma vez que o homem antecede o Estado não só no tempo, mas também em valor, dignidade e importância. Perante o Estado, não há ricos ou pobres, mas cidadãos. Daí a responsabilidade social do Estado na promoção do bem-comum e no dever de propiciar os meios indispensáveis a que o homem possa alcançar a felicidade.
Neste texto, o trabalho deixa de ser considerado um castigo e passa a ser visto como um valor que “honra o homem, fornecendo-lhe um nobre meio de sustentar a sua vida e a da sua família”. O mérito do trabalho é elevado à condição de uma virtude e considera que a dignidade do trabalhador tem como referência o modelo divino (Não é Ele o carpinteiro, o Filho de Maria?).
Associado ao valor do trabalho aparece o valor da solidariedade: “mais valem dois juntos que um só, pois tiram vantagem da sua associação. Se um cai, o outro sustenta-o. Desgraçado do homem só, pois; quando cair, não terá ninguém que o levante”. E conclui: “O irmão que é ajudado por seu irmão, é como uma cidade forte”. Apela à cooperação entre governo, patrões, trabalhadores e Igreja para a promoção do bem-comum.
Em relação á economia, o Papa defende que tem uma dimensão social. Faz uma distinção entre a “justa posse da riqueza” e o seu “legítimo uso”. Todos os bens da natureza pertencem a todos os homens indistintamente e, por isso, quem dispor de bens que suficientemente o satisfaçam deve disponibilizar o supérfluo para os que menos têm.
Termina, definindo como critério do legítimo uso dos bens a capacidade de promover a prosperidade e bem-estar de todos.
http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html

In blog "MARGEM ESQUERDA"


publicado por livrecomoovento às 02:28
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