Segunda-feira, 15 de Julho de 2013
O Povo aguenta, mas tudo tem um limite

Vi, no youtube, as várias gravações que existem sobre a última manifestação nas galerias da Assembleia da República.

Vi homens e mulheres, de várias idades, provavelmente pessoas que têm família, nas suas múltiplas formas que a sociedade portuguesa permite. Mas são pessoas que resolveram prescindir do seu tempo para ir até à Casa da Democracia e aí desenvolver uma ação de protesto. Ora é sobre isto que eu gostaria de discorrer. 
É sabido que o acesso às galerias da Assembleia da República é livre de se fazer, sempre que decorrem trabalhos parlamentares. Isto porque a ação dos deputados é pública e exatamente por isso o Povo pode e deve estar presente. Com uma ressalva, não pode interferir, ou perturbar o trabalho dos deputados, aqueles que o Povo elegeu. E não só se compreende a ressalva como é um princípio que se terá de defender.
Em trinta e cinco anos do novo período constitucional, de 1976 a 2011, podem contar-se pelos dedos das mãos, das duas mãos e dos dois pés, o número de vezes em que os trabalhos foram interrompidos devido a protestos oriundos das galerias. O que me faz pensar que o Povo é bastante sereno apesar de ver muitas vezes a aprovação de normas que lhe tolhem os seus Direitos. Prova disso, foi o último ano em que muitos dos Direitos foram postos em causa, em nome de algo como “a confiança dos mercados”, ou as “taxas de juros”, ou “credores”. O Povo aguentou tudo: despedimentos, falências, aumento da carga fiscal, diminuição de indemnizações, aumento de horas de trabalho, diminuição das percentagens pagas por trabalho extraordinário, aumento das taxas moderadoras na saúde, suspensão ou diminuição de amortizações em sede de IRS com gastos na saúde, no ensino, nos juros da habitação permanente, e por aí adiante. O Povo viu o colega perder o emprego, o vizinho fechar as portas do seu negócio, os filhos dos amigos a partirem à procura de trabalho no estrangeiro. O Povo continua a abrigar os seus filhos na sua casa, apesar de já terem idade para viver autonomamente mas a precariedade do emprego deles a isso obriga, enquanto os seus pais evitam aviar toda a receita de medicamentos porque a pensão é pequena e não dá para o essencial, para a sobrevivência. E o Povo ainda assiste às PPP’s, aos SWAPs e às nomeações para os gabinetes ministeriais de assessores especialistas acabadinhos de sair das faculdades e das juventudes partidárias. E o Povo aguentou. Tudo. Até há uns meses. Porque os deputados da maioria foram demasiado longe na sua arrogância de se julgarem eleitos e de se saberem das elites. Ser-se deputado não é uma profissão. Ser-se deputado é ser-se representante do Povo, é defender a Constituição de 1976, que este Povo em 1975 pensou ser aquela que melhor traduziria o seu sentir. É defender a Constituição que tem sido sucessivamente revista ampliando os Direitos, Liberdades e Garantias. 
As galerias de S. Bento não foram ocupadas por “carrascos”, como expressou a segunda figura do Estado. O Povo tem sido muito sereno e sacrificado. Mas há limites que já se desenham e é preciso evitar atingi-los. O protesto nas galerias de S. Bento quis libertar de carrascos os lugares destinados aos representantes do Povo! Apenas isso.


Da autoria do meu amigo de longa data, Rui Pinto Almeida (Só o título é que é meu). 



publicado por livrecomoovento às 01:02
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